Um pastor evangélico de 70 anos foi agredido com uma rasteira e chutes no rosto na noite de domingo (25), no Jardim Goiás, em Goiânia, após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais. Segundo familiares, o ataque teria sido motivado pela camiseta vermelha usada pelo idoso, que voltava de uma caminhada no Parque Flamboyant. A agressão foi registrada por câmeras de segurança.
As imagens mostram o momento em que um homem vestindo uma camiseta amarela desce de uma caminhonete estacionada próximo à calçada e se aproxima do pastor Uracy Cordeiro Tenório. Em seguida, o suspeito dá uma rasteira na vítima e desfere chutes enquanto ela está caída no chão.
O ataque aconteceu por volta das 21h30, nas proximidades do prédio onde o idoso mora. Segundo a família, não houve discussão ou provocação antes das agressões.
A esposa do pastor, Aleir Tenório, contou que o marido havia saído sozinho para caminhar no Parque Flamboyant e retornava para casa quando foi surpreendido.
Segundo ela, havia movimentação de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) na região após o segundo turno das eleições. A família acredita que o agressor tenha associado a cor da roupa do pastor a uma manifestação de apoio a Lula.
O filho da vítima afirmou que o pai não usava adesivos ou símbolos partidários. A camiseta era apenas vermelha, sem qualquer referência ao Partido dos Trabalhadores.
A suspeita de intolerância política foi apresentada pelos familiares, mas a motivação do ataque ainda depende de apuração policial.
Após a agressão, Uracy foi socorrido e encaminhado ao Hospital de Urgências de Goiás Dr. Valdemiro Cruz (Hugo).
O idoso sofreu uma fratura no nariz, além de ferimentos na boca e no rosto. Ele passou por exames, recebeu atendimento médico e teve alta hospitalar durante a madrugada desta segunda-feira (26).
Segundo os familiares, o pastor está em casa, mas ainda precisará passar por uma cirurgia no nariz em razão da fratura.
A esposa relatou que, apesar da recuperação, o marido permanece abalado emocionalmente com a violência.
Segundo relatos da família, parentes do suspeito intervieram para interromper o ataque e prestaram os primeiros socorros à vítima. O agressor fugiu antes da chegada da Polícia Militar.
Equipes policiais realizaram buscas na região, mas o homem não foi localizado naquele momento. A identidade do suspeito não havia sido divulgada pelas autoridades.
O caso foi encaminhado para apuração da Polícia Civil, com atuação da Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso (Deai).
As imagens das câmeras de segurança poderão auxiliar na identificação do agressor e no esclarecimento das circunstâncias do ataque.
A família cobra a responsabilização do suspeito e afirma que o pastor foi vítima de violência por uma suposta associação entre a cor de sua roupa e o resultado das eleições presidenciais.