Um avião particular apontado como possível meio de transporte do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos permanece no aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, após ter um voo suspenso na madrugada desta terça-feira (27). A aeronave, um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, pertence à empresa argentina Baires Fly S.A. e tinha partida inicialmente prevista para as 2h, com destino a Fort Lauderdale, na Flórida. A informação foi divulgada pelo portal argentino Infobae, que relacionou o voo à suspeita de uma tentativa de saída do Brasil pelo candidato derrotado nas eleições presidenciais.
Segundo a reportagem, o avião chegou a Puerto Iguazú às 23h45 de segunda-feira (26), vindo do Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires. A programação indicava uma viagem internacional com quatro passageiros e três tripulantes, mas a decolagem não aconteceu.
Fontes da Polícia de Segurança Aeroportuária argentina (PSA) relataram ao Infobae que um dos quatro passageiros previstos não compareceu para o embarque, o que teria provocado a suspensão do voo. A Polícia de Misiones confirmou ao veículo que a aeronave continuava no aeroporto.
A imprensa local informou que havia previsão de uma nova tentativa de decolagem às 17h desta terça-feira, em direção à Flórida. Até a publicação dessas informações, não havia confirmação de que o voo tivesse sido realizado.
O Gulfstream G400 citado na reportagem é uma aeronave executiva de longo alcance, fabricada em 2004 pela empresa norte-americana Gulfstream Aerospace.
O modelo possui capacidade para até 14 passageiros, dois motores Rolls-Royce Tay e autonomia estimada entre 7 mil e 7,8 mil quilômetros, dependendo das condições de operação.
O avião está registrado na Argentina desde 25 de setembro de 2020, sob a matrícula LV-JQW, em nome da Baires Fly S.A., empresa de aviação privada e comercial fundada em 1996.
Antes de receber a matrícula argentina, a aeronave utilizou diferentes registros nos Estados Unidos e no México, incluindo N524GA, N522AC, N522AG, XA-CHG e N152GA.
A empresa responsável pelo jato opera a partir do Aeroparque de Buenos Aires. Conforme as informações publicadas pelo Infobae, Luis Grande aparece como presidente da companhia, María Belén Grande Ratti como vice-presidente e María Florencia Grande Ratti como diretora suplente.
A identificação do avião e de sua empresa proprietária não comprova qualquer participação de Flávio Bolsonaro na viagem.
A suspeita de uma possível ligação do senador com o voo surgiu após o Infobae publicar que ele teria deixado o território brasileiro pela fronteira com a província argentina de Misiones.
De acordo com a primeira versão divulgada pelo portal, Flávio teria utilizado a carteira de identidade para entrar na Argentina e seguir até o aeroporto de Puerto Iguazú, de onde embarcaria para os Estados Unidos.
A companhia aérea teria iniciado procedimentos de alfândega e imigração para os passageiros da viagem internacional.
Entretanto, informações posteriores colocaram a hipótese em dúvida. Segundo o Infobae, fontes do Ministério da Segurança da Argentina afirmaram que não havia registro de entrada legal do senador no país.
A Polícia Federal brasileira também verificou que Flávio não havia passado pelos controles migratórios regulares do Brasil, conforme informações publicadas pelo jornal O Globo.
Até a manhã desta terça-feira, não havia confirmação de que o parlamentar tivesse chegado ao aeroporto argentino ou embarcado na aeronave.
A Polícia Federal passou a verificar os registros de fronteira e entrou em contato com autoridades argentinas para tentar esclarecer se Flávio Bolsonaro deixou o país.
A investigação ocorre depois que o senador afirmou ter recebido, na segunda-feira (26), uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes e não sair do território brasileiro.
Segundo Flávio, agentes da PF comunicaram a medida quando ele deixava a residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.
A decisão estabeleceu prazo de 24 horas para a entrega dos passaportes comum e diplomático. A restrição estaria relacionada a investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.
Flávio nega irregularidades e afirmou que cumpriria a ordem judicial, além de apresentar sua defesa.
A possibilidade de uma saída do Brasil ganhou repercussão dois dias depois da derrota do senador para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.
A versão de que Flávio teria deixado o país foi contestada por familiares e aliados políticos.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador e residente nos Estados Unidos, ironizou a notícia em declaração à jornalista Mariana Sanches, do UOL.
“É o Elon Musk que está mandando um foguete”, afirmou. Em seguida, negou a informação e atribuiu sua divulgação a adversários políticos.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio, também negou que ele tivesse deixado o Brasil.
Apesar das negativas, a imprensa brasileira relatou dificuldades para entrar em contato diretamente com o parlamentar nas primeiras horas desta terça-feira.
A permanência do avião em Puerto Iguazú e a suspensão do voo previsto para os Estados Unidos são informações que passaram a ser examinadas diante dos relatos sobre uma possível viagem de Flávio Bolsonaro.
No entanto, não há comprovação de que o senador estivesse entre os passageiros previstos ou de que tenha atravessado a fronteira brasileira.
As autoridades argentinas não confirmaram sua entrada no país, enquanto a Polícia Federal brasileira continua verificando os registros disponíveis.
O caso permanece cercado de versões contraditórias. A eventual confirmação de uma saída do território nacional após a determinação do STF poderá ter consequências jurídicas, mas isso dependerá da comprovação dos fatos e da análise das autoridades competentes.
-Por: Lucas Leonardo, estudande de Jornalismo. Goiânia - GO