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PF investiga fundo que aplicou R$ 93 milhões no Banco Master

Operação Entressafras apura suspeitas de irregularidades na gestão da previdência de servidores municipais de São Roque; prejuízo estimado chega a R$ 121 milhões

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
27/10/2026 às 11h35
PF investiga fundo que aplicou R$ 93 milhões no Banco Master
Foto: Reprodução

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (27), a Operação Entressafras para investigar possíveis irregularidades na aplicação de recursos do Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de São Roque (São Roque Prev), no interior de São Paulo. O fundo investiu cerca de R$ 93 milhões em títulos do Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro e liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025.

A operação cumpriu nove mandados de busca e apreensão em São Paulo e Pernambuco. Segundo a PF, a investigação examina investimentos realizados entre 2022 e 2024, incluindo R$ 80 milhões em letras financeiras e R$ 20 milhões em um fundo imobiliário. O prejuízo estimado à previdência municipal é de aproximadamente R$ 121 milhões, valor que foi alvo de bloqueio judicial contra os investigados.

De acordo com a investigação, as aplicações financeiras teriam sido autorizadas com base em pareceres técnicos genéricos, sem justificativas suficientes para demonstrar a segurança dos investimentos.

A Polícia Federal também aponta que não teriam sido considerados fatores importantes, como a existência de processos administrativos sancionadores, a comparação com outras opções disponíveis no mercado e a necessidade de diversificar os recursos do instituto.

Outro ponto investigado é a possibilidade de direcionamento das decisões. A suspeita é de que as instituições responsáveis por receber os investimentos tenham sido escolhidas antes mesmo da análise dos riscos.

Os envolvidos poderão responder por crimes como gestão fraudulenta, peculato financeiro, lavagem de dinheiro e delitos contra a administração pública.

Banco Master recebeu R$ 93 milhões do fundo

O São Roque Prev foi um dos institutos de previdência municipais de São Paulo que aplicaram recursos em letras financeiras do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.

Entre abril e setembro de 2024, o instituto destinou aproximadamente R$ 93 milhões à compra de títulos da instituição. Na época, o montante representava cerca de 18% da carteira de investimentos da previdência municipal.

As letras financeiras são títulos emitidos por instituições financeiras para captar recursos de investidores. Em troca, oferecem remuneração conforme condições estabelecidas no momento da aplicação.

Diferentemente de outros produtos bancários, esses títulos não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que aumenta a exposição do investidor em caso de dificuldades da instituição emissora.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, após enfrentar problemas financeiros.

CPI identificou irregularidades nas aplicações

Os investimentos do São Roque Prev já haviam sido analisados por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de São Roque.

Durante os trabalhos, o presidente do instituto, Bruno Caparell, afirmou que as aplicações foram realizadas diante da expectativa de maior liquidez e rentabilidade. Ele também argumentou que as operações ocorreram antes da divulgação das principais suspeitas envolvendo o Banco Master.

Apesar das justificativas apresentadas, o relatório final da CPI identificou irregularidades nas transações e encaminhou suas conclusões ao Ministério Público de São Paulo.

O ex-diretor do instituto Vanderlei Massarioli também foi alvo de decisão que determinou o ressarcimento dos aproximadamente R$ 93 milhões investidos em títulos do banco.

A apuração administrativa e a investigação criminal da Polícia Federal são procedimentos distintos, embora examinem aspectos relacionados à gestão dos recursos previdenciários.

O que acontece com os recursos dos servidores?

O São Roque Prev é responsável pela administração de recursos destinados ao pagamento de benefícios previdenciários dos servidores municipais.

Por isso, possíveis perdas financeiras nas aplicações podem afetar o patrimônio do instituto e exigir medidas para recompor os valores.

O bloqueio judicial de aproximadamente R$ 121 milhões busca preservar recursos que poderão ser utilizados para eventual ressarcimento, caso as irregularidades sejam comprovadas.

A existência de uma investigação não significa que os servidores deixarão de receber seus benefícios. Também não há, nas informações divulgadas pela PF, indicação de suspensão de aposentadorias ou pensões em razão da operação.

A Polícia Federal continuará analisando documentos, movimentações financeiras e decisões administrativas relacionadas aos investimentos realizados entre 2022 e 2024.

O objetivo é esclarecer se houve direcionamento das aplicações, identificar os responsáveis por eventuais irregularidades e determinar a extensão dos prejuízos causados ao patrimônio previdenciário municipal.

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