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Jovens protestam na Indonésia contra incêndios florestais
Estudantes criticam a resposta do governo de Prabowo Subianto às queimadas, que provocam uma crise ambiental e de saúde no país; manifestações também cobram medidas contra o aumento dos preços
28/10/2026 16h28
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Milhares de manifestantes foram às ruas da Indonésia nesta quarta-feira (28) para protestar contra as políticas do presidente Prabowo Subianto e a atuação do governo no combate aos incêndios florestais. Estudantes e integrantes de movimentos sociais exigem que as autoridades reconheçam as queimadas como um desastre nacional e adotem medidas mais eficazes para conter a fumaça que atinge diferentes regiões do país.

Na capital, Jacarta, manifestantes se concentraram nas proximidades da rotatória do Hotel Indonesia, um dos principais pontos de manifestações da cidade. Alguns participantes utilizavam máscaras de proteção contra gases e carregavam cartazes criticando a resposta das autoridades à crise ambiental.

Entre as mensagens exibidas estava a frase “Se a gente queimar, vocês queimam conosco”. Outros manifestantes levantaram três dedos, gesto associado à franquia Jogos Vorazes e adotado como símbolo de resistência por movimentos juvenis em diferentes países.

Incêndios provocam crise ambiental e de saúde

A Indonésia enfrenta os piores incêndios florestais dos últimos 11 anos, agravados pelo fenômeno climático El Niño, que favorece períodos de calor intenso e seca.

As queimadas atingem principalmente áreas de floresta e turfeiras, terrenos ricos em matéria orgânica que podem permanecer em combustão por longos períodos.

A fumaça produzida pelos incêndios tem aumentado os casos de doenças respiratórias e prejudicado a qualidade do ar em diversas cidades.

Os efeitos também ultrapassaram as fronteiras da Indonésia, atingindo países vizinhos, como Malásia e Singapura.

Durante os protestos, participantes exibiram imagens de orangotangos, animais que sofrem com a destruição de seus habitats em regiões afetadas pelo fogo.

“Os animais não têm vontade própria. Se os matarmos, qual é a diferença entre nós e eles?”, questionou Anggi Aurien, de 28 anos, durante a manifestação.

Protestos registram confrontos com policiais

Além de Jacarta, atos foram realizados em outras cidades, incluindo Bandung, na ilha de Java, e Makassar, no sul de Sulawesi.

Na capital, grupos de estudantes encontraram barreiras policiais que impediam o avanço em direção a pontos importantes da cidade.

Nas proximidades da Universidade da Indonésia, manifestantes também tiveram o deslocamento bloqueado por agentes de segurança.

As restrições provocaram empurrões e confrontos pontuais entre participantes e policiais.

Durante os atos, alguns grupos gritavam palavras de ordem e pediam mudanças na condução das políticas ambientais.

As autoridades mobilizaram um esquema de segurança com milhares de policiais e militares para acompanhar as manifestações.

Governo também é criticado por questões econômicas

Embora os incêndios florestais estejam entre as principais causas da mobilização, os protestos também refletem a insatisfação com questões econômicas e decisões do governo.

Os manifestantes criticam o aumento do custo de vida, a redução de subsídios e os investimentos em programas considerados menos urgentes diante da crise ambiental.

Entre os alvos das críticas está o programa governamental de refeições gratuitas, uma das principais iniciativas da administração de Prabowo.

Parte dos estudantes defende que mais recursos sejam destinados à prevenção de incêndios, ao combate às queimadas e ao atendimento das populações afetadas.

A insatisfação ocorre em um momento de queda na aprovação presidencial. Pesquisas do instituto Saiful Mujani Research and Consulting apontam redução no apoio a Prabowo desde o final de 2025.

O presidente assumiu o cargo em outubro de 2024.

Governo afirma que está adotando medidas

Em resposta às manifestações, o gabinete de comunicação do governo indonésio informou que recebe as reivindicações dos estudantes como contribuições para o debate sobre as políticas públicas.

A administração também afirmou que adotou medidas contra empresas relacionadas aos incêndios e enviou ajuda às províncias afetadas pela fumaça.

Segundo o governo, o monitoramento das queimadas continua, assim como as ações de combate ao fogo.

Apesar dessas providências, os manifestantes cobram uma resposta mais ampla e o reconhecimento oficial da emergência ambiental.

As mobilizações desta quarta-feira mostram que a crise dos incêndios florestais passou a ocupar também o centro das manifestações políticas na Indonésia, reunindo preocupações ambientais, econômicas e sociais.