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Trump diz que não tomou partido a pedido de Lula
Presidente dos EUA afirmou que conversará com Lula, mas evitou reconhecer sua vitória e voltou a chamar as eleições brasileiras de “vergonhosas”, sem apresentar provas de irregularidades
29/10/2026 14h18
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (29) que não tomou partido nas eleições presidenciais brasileiras a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O republicano também disse que pretende conversar com Lula, mas evitou responder se reconhece sua vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL). Durante a declaração, voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro, que classificou como uma “vergonha”, sem apresentar provas de irregularidades.

As declarações foram dadas a jornalistas antes de Trump embarcar para um comício eleitoral na Carolina do Sul. Questionado sobre quem considera o vencedor legítimo da disputa, o presidente norte-americano afirmou que não gostaria de comentar o assunto naquele momento.

“Não quero comentar isso agora, mas achei que a eleição foi um grande constrangimento para o povo brasileiro”, declarou.

Trump também afirmou que acompanhou a votação e decidiu não apoiar nenhum dos candidatos após uma solicitação do presidente brasileiro.

“Acompanhei a eleição. Não tomei partido. Deixei as coisas seguirem seu curso. O presidente, o atual presidente, me pediu para não tomar partido. E eu não tomei”, disse.

O governo brasileiro ainda não havia confirmado a existência desse pedido mencionado por Trump.

Trump volta a questionar eleição brasileira

Apesar de afirmar que pretende conversar com Lula, Trump voltou a colocar em dúvida a condução do processo eleitoral brasileiro.

O presidente norte-americano relacionou suas críticas à reação negativa do mercado financeiro após o segundo turno, realizado no domingo (25).

“Basta olhar para o mercado. O mercado despencou. Enfim, achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil”, afirmou.

Na segunda-feira (26), primeiro pregão após a reeleição de Lula, o Ibovespa registrou uma forte queda, enquanto o dólar apresentou valorização diante das preocupações de investidores com o cenário econômico brasileiro.

A reação do mercado, entretanto, não representa evidência de irregularidades eleitorais.

Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, resultado confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Até o momento, Trump não apresentou provas que sustentem suas críticas à integridade da votação.

Presidente americano evita reconhecer vitória de Lula

Ao ser questionado se telefonaria para parabenizar Lula pela reeleição, Trump afirmou que conversará com o presidente brasileiro, mas não informou quando isso deverá acontecer.

O republicano também não respondeu diretamente se reconhece o resultado oficial das urnas.

Até esta quinta-feira (29), os Estados Unidos ainda não haviam anunciado formalmente o reconhecimento da vitória de Lula.

A postura contrasta com a de outros governos e organizações internacionais que já reconheceram o resultado divulgado pelo TSE.

O presidente da Justiça Eleitoral brasileira, Kassio Nunes Marques, confirmou a vitória de Lula e afirmou que a votação ocorreu dentro das regras estabelecidas.

O PL, partido de Flávio Bolsonaro, também reconheceu o resultado, embora tenha solicitado esclarecimentos sobre procedimentos adotados durante a eleição.

Trump havia dito que não se envolveria na situação de Flávio

Na quarta-feira (28), Trump já havia comentado a situação política brasileira após a chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.

O senador desembarcou em Miami acompanhado da mulher e das duas filhas, depois de deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina e fazer uma escala no Equador.

A viagem ocorreu apesar de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibia Flávio de sair do território brasileiro.

Questionado sobre a carta divulgada pelo senador após chegar aos Estados Unidos, Trump afirmou que havia autorizado sua entrada no país, mas que não pretendia interferir na situação.

“Nós demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas não vou me envolver”, declarou.

Na carta, Flávio chegou a se apresentar como o verdadeiro presidente eleito do Brasil, apesar da derrota nas urnas. Posteriormente, alterou o documento e passou a utilizar a expressão “líder do Brasil”.

O senador também afirmou, sem apresentar provas, que houve fraude eleitoral.

Chanceleres do Brasil e dos EUA terão reunião

As declarações ocorrem às vésperas de um encontro entre representantes dos governos brasileiro e norte-americano.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tem uma reunião prevista com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, durante o encontro de chanceleres do G20.

O evento será realizado na sexta-feira (30) e no sábado (31), em Atlanta, nos Estados Unidos.

A reunião ocorre em um momento de atenção às relações diplomáticas entre os dois países, após as declarações de Trump sobre o processo eleitoral brasileiro e a chegada de Flávio Bolsonaro ao território norte-americano.

Até o momento, não foi informado se o resultado das eleições brasileiras estará na pauta do encontro.

EUA se preparam para eleições legislativas

As declarações de Trump também acontecem em meio à reta final das eleições legislativas dos Estados Unidos.

Na próxima terça-feira, 3 de novembro, os norte-americanos irão às urnas para renovar toda a Câmara dos Representantes e parte do Senado.

As chamadas eleições de meio de mandato são importantes para definir o equilíbrio de forças no Congresso durante a segunda metade do atual governo Trump.

O presidente norte-americano tem participado de comícios e eventos de campanha para apoiar candidatos republicanos.

Enquanto mantém críticas ao processo eleitoral brasileiro, Trump afirma que pretende conversar com Lula, mas ainda não reconheceu expressamente a vitória do presidente reeleito. O governo brasileiro também não confirmou o suposto pedido para que o republicano permanecesse neutro durante a disputa presidencial.