Negócios Dinheiro
Hackers roubam R$ 34 bilhões da Binance em ataque recorde
Criminosos desviaram US$ 6,3 bilhões em criptomoedas em cerca de 20 minutos; empresa promete cobrir prejuízos e investiga possível participação de hackers ligados à Coreia do Norte
30/10/2026 15h47
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, foi alvo de um ataque hacker que resultou no desvio de aproximadamente US$ 6,3 bilhões, o equivalente a R$ 34 bilhões. A invasão ocorreu na quinta-feira (29), e a maior parte dos recursos foi transferida em apenas 20 minutos. O episódio é considerado o maior roubo de criptomoedas já registrado, superando o ataque à Bybit, que perdeu US$ 1,5 bilhão em fevereiro de 2025.

Após identificar a movimentação suspeita, a Binance suspendeu temporariamente os saques e iniciou uma investigação para rastrear os recursos desviados.

Segundo a corretora, cerca de US$ 3 bilhões, aproximadamente R$ 16,2 bilhões, já foram localizados ou tiveram sua movimentação bloqueada com a ajuda de empresas parceiras. A situação dos outros US$ 3,3 bilhões ainda não foi totalmente esclarecida.

A companhia informou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu utilizar dinheiro próprio para cobrir eventuais prejuízos. A empresa também trabalha com autoridades policiais e especialistas em segurança digital para identificar os responsáveis.

Como os hackers conseguiram roubar bilhões em minutos?

As primeiras investigações indicam que o ataque pode ter começado com o comprometimento do computador de um funcionário da Binance.

Segundo a empresa, os criminosos teriam conseguido acessar sistemas internos e manipular mecanismos responsáveis pela autorização de transferências de criptomoedas.

A invasão permitiu que valores mantidos em carteiras digitais conectadas à internet fossem transferidos para endereços controlados pelos hackers.

Essas carteiras, conhecidas como hot wallets, são utilizadas por corretoras para processar operações e permitir a movimentação de ativos digitais.

De acordo com a empresa de análise de blockchain TRM Labs, os criminosos conseguiram realizar transferências em diferentes redes de criptomoedas.

A maior parte do desvio ocorreu em aproximadamente 20 minutos, o que dificultou a identificação e o bloqueio imediato de todas as operações.

A Binance informou que encontrou outros possíveis pontos de comprometimento durante a investigação e que ainda trabalha para determinar a sequência completa do ataque.

Coreia do Norte é apontada como possível responsável

Empresas especializadas em rastreamento de criptomoedas, como TRM Labs e Chainalysis, identificaram semelhanças entre o ataque à Binance e operações anteriores atribuídas a grupos de hackers ligados à Coreia do Norte.

Segundo os especialistas, as técnicas utilizadas lembram as empregadas no ataque à corretora Bybit, em fevereiro de 2025.

Na ocasião, o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, atribuiu o roubo ao grupo de hackers norte-coreano conhecido como Lazarus.

A TRM Labs apontou possíveis ligações entre a nova invasão e uma unidade de hackers associada ao governo norte-coreano.

Até o momento, a autoria do ataque à Binance não foi confirmada oficialmente pelas autoridades. A Coreia do Norte nega envolvimento em roubos de criptomoedas.

Binance promete cobrir prejuízos dos clientes

Após o ataque, a Binance anunciou medidas para proteger os usuários e tentar recuperar os recursos desviados.

A corretora informou que separou aproximadamente US$ 6,34 bilhões em recursos próprios para garantir a cobertura das perdas relacionadas ao incidente.

A empresa também afirmou que trabalha com emissoras de criptomoedas estáveis, chamadas de stablecoins, para impedir que os responsáveis movimentem parte do dinheiro.

Entre as companhias envolvidas no bloqueio estão a Tether e a Circle, que congelaram ativos relacionados às operações suspeitas.

A Binance informou que pretende retomar os saques após concluir as verificações de segurança necessárias.

O episódio também provocou instabilidade no mercado de criptomoedas, com quedas nas cotações de ativos como bitcoin e ether.

Veja os maiores ataques da história das criptomoedas

O roubo à Binance superou uma série de invasões que provocaram prejuízos bilionários no mercado de ativos digitais.

Confira os principais casos:

1. Binance — US$ 6,3 bilhões (2026)

O ataque registrado em 29 de outubro de 2026 é considerado o maior já identificado no setor.

Hackers conseguiram desviar aproximadamente R$ 34 bilhões em criptomoedas, com a maior parte das transferências realizada em cerca de 20 minutos.

A Binance investiga o comprometimento de seus sistemas internos e possíveis ligações com grupos de hackers norte-coreanos.

A empresa afirma que pretende cobrir os prejuízos e recuperar parte dos recursos desviados.

2. Bybit — US$ 1,5 bilhão (2025)

Em fevereiro de 2025, criminosos roubaram aproximadamente US$ 1,5 bilhão, cerca de R$ 8,1 bilhões, em criptomoedas da corretora Bybit.

O ataque envolveu principalmente a transferência não autorizada de ativos da rede Ethereum.

O FBI atribuiu a operação a hackers ligados à Coreia do Norte.

Segundo as investigações americanas, os criminosos converteram rapidamente os recursos em outras criptomoedas e distribuíram os valores por milhares de endereços digitais para dificultar o rastreamento.

3. Poly Network — US$ 610 milhões (2021)

Em agosto de 2021, a plataforma Poly Network sofreu um ataque que resultou no desvio de aproximadamente US$ 610 milhões, equivalentes a R$ 3,23 bilhões.

A empresa era utilizada para facilitar transferências de tokens entre diferentes redes blockchain.

O caso ganhou repercussão internacional porque, após negociações com a plataforma, os responsáveis devolveram quase todos os recursos roubados.

4. Ronin Network — US$ 540 milhões (2022)

Em março de 2022, hackers invadiram a Ronin Network, rede blockchain associada ao jogo online Axie Infinity.

Foram desviados aproximadamente 173,6 mil ethers e 25,5 milhões de unidades da criptomoeda USD Coin, avaliados em cerca de US$ 540 milhões na época.

O ataque comprometeu sistemas utilizados para validar transações entre diferentes redes.

O governo dos Estados Unidos também atribuiu a invasão a hackers ligados à Coreia do Norte.

5. Coincheck — US$ 530 milhões (2018)

A corretora japonesa Coincheck perdeu aproximadamente US$ 530 milhões, cerca de R$ 2,81 bilhões, após um ataque realizado em janeiro de 2018.

Os criminosos acessaram uma carteira digital conectada à internet e transferiram os recursos para endereços externos.

A invasão provocou uma crise de confiança na plataforma e aumentou a pressão sobre as autoridades japonesas para reforçar a fiscalização do mercado de criptomoedas.

6. Mt. Gox — US$ 500 milhões (2011 a 2014)

Um dos casos mais conhecidos do setor envolve a antiga corretora Mt. Gox, sediada em Tóquio.

Entre 2011 e 2014, a plataforma sofreu ataques que resultaram no desaparecimento de bitcoins avaliados em aproximadamente US$ 500 milhões, cerca de R$ 2,65 bilhões.

Na época, a Mt. Gox concentrava grande parte das negociações mundiais de bitcoin.

Após a descoberta das perdas, a empresa entrou com um pedido de recuperação judicial em 2014.

Cerca de 24 mil clientes ficaram sem acesso aos seus recursos.

Roubos de criptomoedas somaram US$ 2,9 bilhões em 2025

O ataque à Binance também chama atenção pelo tamanho do prejuízo em comparação com os números registrados anteriormente no setor.

Segundo levantamento da TRM Labs, criminosos desviaram aproximadamente US$ 2,9 bilhões em criptomoedas durante todo o ano de 2025, distribuídos em quase 150 ataques.

Isso significa que, em apenas uma operação, os hackers responsáveis pela invasão da Binance movimentaram mais que o dobro do valor roubado em todo o ano anterior.

Os ataques mostram como falhas de segurança em sistemas de autorização de transferências e no armazenamento de ativos digitais podem resultar em prejuízos de grandes proporções.

A Binance continua investigando o caso e trabalhando para bloquear e recuperar os recursos desviados. Apesar da promessa de cobertura integral das perdas, o episódio reacende o debate sobre a segurança das corretoras e os riscos de manter grandes quantidades de criptomoedas em plataformas centralizadas.