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“Midterms”: EUA votam hoje para renovar o Congresso
Os Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira, 3 de novembro, para as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. Mais de 57 milhões de americanos já votaram antecipadamente.
03/11/2026 12h30
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Os Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, após uma campanha marcada por promessas de pagamentos de US$ 5 mil aos cidadãos, acusações de fraude eleitoral e ameaças de vetos feitas pelo presidente Donald Trump. O republicano participou diretamente da mobilização de eleitores para manter o controle de seu partido sobre o Congresso, que será renovado parcialmente nesta votação.

A disputa é considerada decisiva para os dois últimos anos do atual mandato de Trump. Estão em jogo todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 vagas no Senado e os governos de 36 estados americanos.

Atualmente, o Partido Republicano controla as duas Casas do Congresso. Uma mudança nesse cenário poderá dificultar a aprovação de projetos do governo e ampliar a capacidade de fiscalização da oposição.

Mais de 50 milhões de americanos já haviam votado antecipadamente até a véspera da eleição.

Trump promete cheque de US$ 5 mil se republicanos vencerem

Uma das declarações de maior repercussão na campanha foi a promessa de distribuir US$ 5 mil, aproximadamente R$ 27,3 mil, a cada cidadão adulto dos Estados Unidos, caso os republicanos mantenham o controle da Câmara e do Senado.

Trump anunciou a proposta em setembro e voltou a mencioná-la durante eventos de campanha e publicações nas redes sociais.

“Aqui vai minha promessa: se os republicanos vencerem a Câmara dos Representantes e o Senado dos Estados Unidos, ambos... vou conceder um dividendo de US$ 5 mil a cada cidadão adulto dos Estados Unidos da América”, afirmou.

O presidente atribuiu a possibilidade do pagamento ao desempenho econômico do país e classificou a medida como uma forma de distribuir parte dos resultados da arrecadação federal.

A proposta, entretanto, levantou questionamentos jurídicos e orçamentários.

Especialistas apontam que a transferência de recursos públicos condicionada a um resultado eleitoral exige análise sobre as regras de financiamento e a legislação americana. Além disso, a implementação dependeria de recursos disponíveis e, possivelmente, de aprovação do Congresso.

Até esta terça-feira, não havia um programa aprovado que garantisse o pagamento dos US$ 5 mil.

Presidente acusa estados de fraude eleitoral

Trump também voltou a questionar a integridade das eleições americanas, principalmente em estados onde candidatos democratas disputam cargos importantes.

O governo americano tentou impedir a contagem de aproximadamente 20 mil votos enviados pelo correio, sob a alegação de que haveria irregularidades relacionadas à participação de pessoas sem cidadania americana.

A Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou o pedido apresentado pela administração Trump.

No Alasca, outra disputa judicial envolveu a candidatura de um político independente chamado Dan Sullivan, que possui o mesmo nome do candidato republicano ao Senado.

Trump afirmou que a situação poderia confundir eleitores e classificou o episódio como fraude. A tentativa do governo de impedir a candidatura também foi rejeitada pela Justiça.

As acusações apresentadas pelo presidente não vieram acompanhadas de provas de um esquema generalizado de fraude capaz de comprometer as eleições.

Trump chama democrata de “jihadista”

A campanha também foi marcada por ataques pessoais a candidatos da oposição.

Em outubro, Trump criticou o democrata Abdul El-Sayed, candidato ao Senado pelo estado de Michigan, e o acusou de ter ligações com a Irmandade Muçulmana.

Durante um comício, o presidente chamou El-Sayed de “jihadista” e afirmou que ele representaria uma ameaça à segurança nacional.

O candidato democrata negou as acusações e rejeitou qualquer ligação com organizações extremistas.

Não foram apresentadas evidências de que El-Sayed integre a Irmandade Muçulmana ou defenda ações terroristas.

As declarações provocaram críticas por associarem a religião muçulmana do candidato a extremismo violento.

Na segunda-feira (2), Trump voltou a atacar o Partido Democrata, afirmando que a legenda possui alguns dos candidatos mais perigosos da história americana.

O presidente também classificou a votação desta terça-feira como uma das eleições mais importantes do país.

Presidente ameaça se tornar o “Sr. Veto”

Diante da possibilidade de perder o controle do Congresso, Trump afirmou que poderá adotar uma estratégia de bloqueio legislativo caso os democratas conquistem a maioria.

Em entrevista ao podcast Pod Force One, do jornal New York Post, o republicano declarou que pretende utilizar seu poder de veto para impedir a aprovação de propostas apresentadas pela oposição.

“Acho que vou me tornar o Sr. Veto”, afirmou.

Segundo Trump, a estratégia poderia obrigar os democratas a negociar diretamente com a Casa Branca.

“Eles vão enviar algumas coisas. Você veta. E, eventualmente, depois de um ou dois meses sendo vetados, eles só estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo”, declarou.

Nos Estados Unidos, o presidente pode vetar projetos aprovados pelo Congresso. Entretanto, o Legislativo possui mecanismos para derrubar um veto presidencial, desde que consiga reunir uma maioria qualificada de votos.

Caso os democratas assumam o controle de uma ou ambas as Casas, o governo Trump poderá enfrentar maior resistência para aprovar mudanças legislativas, propostas orçamentárias e outras medidas de sua agenda.

Trump diz que EUA podem “queimar” como a França

Outra declaração controversa ocorreu em outubro, quando Trump relacionou os protestos violentos registrados na França a uma possível vitória dos democratas nas eleições americanas.

O presidente afirmou, sem apresentar evidências, que os adversários políticos pretendem provocar nos Estados Unidos episódios semelhantes aos confrontos registrados no país europeu.

“Quando vocês virem campanários em chamas e incêndios violentos na França, lembrem-se de que é isso que os democratas radicais querem fazer com os EUA”, declarou.

A fala provocou reação do presidente francês, Emmanuel Macron, que criticou as declarações do republicano e as classificou como comentários “inaceitáveis e estúpidos”.

Não há evidências de que o Partido Democrata tenha planos para promover ataques ou incêndios caso vença as eleições.

O que está em jogo nas eleições desta terça-feira?

As midterms acontecem na metade do mandato presidencial e são consideradas um importante indicador da avaliação dos eleitores sobre o governo.

Diferentemente de uma eleição presidencial, os americanos não escolhem o presidente ou o vice-presidente nesta votação.

O objetivo é renovar os representantes do Congresso e eleger autoridades estaduais e locais.

Na Câmara dos Representantes, todas as 435 vagas estão em disputa. Já no Senado, serão preenchidas 35 das 100 cadeiras, incluindo eleições especiais.

Também serão escolhidos governadores em 36 estados.

Antes da votação, os republicanos mantinham maioria no Senado, com 53 cadeiras. Na Câmara, a vantagem do partido era menor.

Pesquisas e análises eleitorais divulgadas antes do pleito apontavam uma disputa acirrada pelo controle do Congresso.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos publicada na segunda-feira (2) registrou 32% de aprovação ao governo Trump, índice próximo dos níveis mais baixos de seu segundo mandato.

O resultado das urnas poderá definir se o presidente continuará com apoio majoritário no Legislativo ou precisará negociar com uma oposição fortalecida.

Após semanas de declarações controversas, promessas financeiras e questionamentos ao processo eleitoral, Trump enfrenta nesta terça-feira uma das principais avaliações políticas de seu segundo mandato. O resultado determinará o equilíbrio de forças no Congresso americano pelos próximos dois anos e terá impacto direto sobre a capacidade do governo de aprovar sua agenda.