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Senado aprova PEC da Segurança sem reduzir maioridade penal
Proposta foi aprovada por unanimidade em dois turnos e segue para promulgação; emendas que reduziam a maioridade penal para 14 ou 16 anos serão discutidas separadamente
04/11/2026 11h34
Por: Redação
Foto: Reprodução

O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (3), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, sem incluir a redução da maioridade penal. O texto recebeu 73 votos favoráveis e nenhum contrário no primeiro turno. Na segunda votação, foram 75 votos a favor e nenhum contra. Como a proposta manteve o conteúdo aprovado pela Câmara dos Deputados, poderá seguir diretamente para promulgação pelo Congresso Nacional.

Veja momento em que a PEC da Segurança Pública é aprovada

A PEC é uma das prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e estabelece novas regras para fortalecer a integração entre as forças de segurança e o combate ao crime organizado. Entre as mudanças estão a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição, medidas mais rigorosas contra facções criminosas e milícias e a ampliação das atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A aprovação ocorreu após semanas de negociações entre governo e oposição sobre propostas que pretendiam reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos ou, em determinadas situações, para 14 anos.

Maioridade penal será discutida em propostas separadas

Antes de votar a PEC da Segurança, os senadores aprovaram um requerimento para retirar do texto as emendas relacionadas à redução da maioridade penal.

A decisão foi tomada por 38 votos a favor e 36 contra, permitindo que as propostas continuem tramitando de forma independente.

Uma das emendas, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), previa reduzir a maioridade penal para 16 anos como regra geral e para 14 anos em casos de crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas.

A outra, de autoria do senador Camilo Santana (PT-CE), propunha a redução para 16 anos exclusivamente nos casos de crimes hediondos.

O relator da PEC, Rogério Carvalho (PT-SE), defendeu que o tema fosse analisado separadamente, por considerar que a discussão poderia atrasar a aprovação das medidas de segurança pública.

Segundo ele, a inclusão de mudanças na maioridade penal exigiria uma nova análise da proposta pela Câmara dos Deputados.

A decisão desagradou parte da oposição, que defendia a votação das emendas junto com a PEC.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), comprometeu-se a buscar uma tramitação mais rápida para as propostas sobre maioridade penal.

Impasse havia adiado votação em outubro

A PEC estava inicialmente prevista para ser votada em 15 de outubro, mas foi retirada da pauta após divergências entre governo e oposição.

Na ocasião, não havia acordo sobre a inclusão da redução da maioridade penal, e as duas propostas enfrentavam resistência entre os parlamentares.

O governo defendia que o texto fosse aprovado sem alterações para evitar seu retorno à Câmara.

Já a oposição argumentava que a discussão sobre a responsabilização criminal de adolescentes deveria fazer parte de uma reforma mais ampla da segurança pública.

Com a separação das emendas, os senadores conseguiram avançar na votação da PEC principal.

O que muda com a PEC da Segurança Pública?

A PEC 18/2025 estabelece mudanças na organização e na atuação dos órgãos de segurança pública no Brasil.

O principal objetivo é ampliar a cooperação entre União, estados, Distrito Federal e municípios no enfrentamento da criminalidade, especialmente de facções e organizações criminosas.

Entre as principais medidas aprovadas estão:

A proposta também prevê mecanismos de proteção a denunciantes e familiares, além de medidas voltadas à responsabilização de empresas envolvidas com atividades criminosas.

Facções terão regras mais rigorosas

Um dos principais pontos da PEC é o endurecimento das medidas contra organizações criminosas, grupos paramilitares e milícias privadas.

O texto estabelece a possibilidade de cumprimento de pena em estabelecimentos de segurança máxima ou de natureza especial, conforme a posição hierárquica dos envolvidos nas organizações.

Também prevê restrições à progressão de regime e a determinados benefícios processuais, de acordo com as regras que serão regulamentadas.

A proposta permite ainda a aplicação de medidas para retirar das organizações criminosas bens, direitos e valores relacionados às atividades ilegais.

O objetivo é atingir tanto a atuação operacional quanto a estrutura financeira desses grupos.

PEC prevê mais recursos para segurança pública

Além das mudanças na organização das forças policiais, a proposta estabelece mecanismos para ampliar e proteger o financiamento da segurança pública.

O texto determina que 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) sejam destinados a repasses da União para estados e municípios, observadas as condições previstas.

Também prevê a destinação de 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social do Pré-Sal para fundos relacionados à segurança pública.

A PEC busca ainda proteger recursos destinados à área contra bloqueios orçamentários e utilização para finalidades diferentes das previstas.

Segundo o relator, essas medidas devem garantir maior previsibilidade financeira para programas de segurança e para o sistema penitenciário.

Aprovação abre caminho para planos de Lula

A aprovação da PEC representa uma vitória do governo federal, que considera a proposta fundamental para ampliar a participação da União no combate ao crime organizado.

Durante a campanha presidencial, Lula anunciou a intenção de criar um Ministério da Segurança Pública, separado da atual estrutura do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O presidente condicionou o avanço dessa iniciativa à aprovação da PEC, que fortalece a coordenação federal das políticas de segurança.

A criação da nova pasta, no entanto, dependerá de medidas administrativas e legais específicas.

Texto segue para promulgação

Como o Senado aprovou a proposta sem mudanças de mérito em relação ao texto da Câmara, a PEC não precisará retornar aos deputados.

O próximo passo será a promulgação pelo Congresso Nacional, procedimento que incorpora formalmente a emenda ao texto da Constituição.

A aprovação não significa que todas as medidas começarão a funcionar imediatamente, já que algumas dependerão de regulamentação e de ajustes na organização dos órgãos de segurança.

A discussão sobre a redução da maioridade penal continuará em propostas separadas, sem alteração da regra atualmente prevista na Constituição, que estabelece a responsabilização penal a partir dos 18 anos.

Com a aprovação unânime nos dois turnos, o Congresso conclui a votação da PEC da Segurança Pública e abre caminho para uma nova etapa de organização das políticas de combate ao crime no país.