As favelas e comunidades urbanas de Goiás cresceram quase 50% mais rápido que o conjunto das cidades do estado entre 2024 e 2025. Segundo levantamento do MapBiomas, a área construída nesses territórios aumentou 1,40% em um ano, enquanto a expansão urbana geral foi de 0,95%. Os dados mostram que as ocupações continuam avançando territorialmente, especialmente em regiões periféricas dos municípios goianos.
Em 2024, as áreas construídas em favelas e comunidades urbanas somavam 2.499 hectares. No ano seguinte, passaram para 2.534 hectares, um acréscimo de 35 hectares em apenas 12 meses.
Para dimensionar esse crescimento, a nova área ocupada equivale a aproximadamente 4,5 vezes o Parque Vaca Brava ou três vezes o Bosque dos Buritis, ambos localizados em Goiânia.
Já a área urbanizada total de Goiás passou de 225.968 hectares em 2024 para 228.106 hectares em 2025, com crescimento de 0,95%.
Embora o conjunto das cidades tenha registrado um aumento absoluto maior de território construído, as favelas apresentaram um ritmo proporcional de expansão mais acelerado.
O levantamento aponta que Goiás possui 152 favelas e comunidades urbanas oficialmente delimitadas, que ocupam uma área territorial total de 3.211 hectares.
Desse espaço, 2.534 hectares já estão cobertos por construções, ruas e outras superfícies impermeabilizadas.
A área construída nas comunidades representa aproximadamente 1,1% de toda a superfície urbanizada do estado.
O território ocupado por essas edificações é maior que o Parque Estadual Altamiro de Moura Pacheco, que possui cerca de 2.132 hectares.
Como comparação, a área construída das comunidades goianas corresponde a aproximadamente 11 bairros do tamanho do Setor Bueno, em Goiânia.
O MapBiomas utiliza imagens de satélite para acompanhar as transformações do território brasileiro desde 1985.
O coordenador do tema urbano do projeto, Júlio Pedrassoli, explica que o levantamento utiliza as delimitações de favelas e comunidades urbanas estabelecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Isso significa que o MapBiomas não classifica ou cria novas favelas, mas analisa como as áreas construídas se modificam dentro dos territórios já identificados pelo instituto.
Desde 2022, o IBGE utiliza oficialmente a denominação favelas e comunidades urbanas para territórios antes classificados como aglomerados subnormais.
Segundo a definição do instituto, essas áreas são formadas a partir de estratégias adotadas pela população, muitas vezes de maneira coletiva e autônoma, para atender às necessidades de moradia.
Pedrassoli destaca que o levantamento considera apenas a expansão horizontal das construções, ou seja, o aumento da superfície ocupada por edificações e ruas.
Por isso, os dados não indicam necessariamente crescimento da população nem contabilizam a construção de novos pavimentos em imóveis já existentes.
A diferença entre o crescimento das favelas e o conjunto das cidades também aparece na análise das últimas quatro décadas.
Segundo o MapBiomas, a área construída em comunidades urbanas de Goiás alcançou 2.534 hectares em 2025, valor 53,76% superior à média registrada entre 1985 e 2024, que foi de 1.648 hectares.
No mesmo período, a área urbanizada total do estado ficou 39,01% acima de sua média histórica, de 164.088 hectares.
Os números indicam que a ocupação construída em favelas apresentou crescimento proporcional mais acentuado quando comparada ao comportamento histórico da urbanização goiana.
De acordo com o levantamento, essa expansão costuma ocorrer em regiões próximas aos limites das cidades, onde novas construções avançam sobre áreas anteriormente cobertas por vegetação.
A distribuição das favelas e comunidades urbanas também apresenta diferenças entre os municípios.
Em 2025, o Jardim Umuarama, em Luziânia, liderava o ranking estadual em extensão de área construída, com 146,32 hectares ocupados por edificações e vias.
Na segunda posição aparecia a comunidade Mansões Lago do Descoberto, em Águas Lindas de Goiás, com 124,58 hectares.
O Jardim Esperança, em Anápolis, ocupava o terceiro lugar, com 109,02 hectares de área construída.
Na Região Metropolitana de Goiânia, a comunidade com maior extensão urbanizada era o Virgínia Parque, em Aparecida de Goiânia.
Os dados consideram apenas as superfícies construídas, sem incluir as áreas de vegetação existentes dentro dos territórios delimitados.
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O levantamento também identificou as comunidades que mais cresceram entre 2024 e 2025.
Em área absoluta, o maior avanço foi registrado em Mansões Lago do Descoberto, em Águas Lindas de Goiás. A superfície construída passou de 119,72 para 124,58 hectares, um acréscimo de 4,86 hectares.
Já o maior crescimento proporcional ocorreu na Ocupação Marília Mendonça, em Aparecida de Goiânia.
A comunidade passou de 4,72 hectares em 2024 para 9,38 hectares em 2025, praticamente dobrando sua extensão construída em apenas um ano.
O aumento foi de 4,66 hectares, equivalente a aproximadamente 98,7% da área registrada no ano anterior.
O resultado colocou a ocupação entre os principais exemplos de expansão territorial acelerada identificados pelo levantamento em Goiás.
Os dados do MapBiomas mostram que a expansão das áreas construídas em favelas e comunidades urbanas ocorre em ritmo superior ao crescimento urbano geral de Goiás.
Esse cenário traz informações relevantes para o planejamento das cidades, especialmente em questões relacionadas à moradia, infraestrutura, saneamento, mobilidade e preservação de áreas verdes.
A expansão horizontal também exige atenção à ocupação de regiões periféricas, onde a oferta de serviços públicos pode não acompanhar o crescimento das construções.
Entretanto, o levantamento não permite concluir, isoladamente, se houve aumento da população dessas comunidades ou piora das condições habitacionais.
Com 152 favelas e comunidades urbanas delimitadas, Goiás registrou 35 hectares adicionais de área construída nesses territórios em apenas um ano. O avanço reforça a importância de acompanhar como as cidades crescem e de considerar as necessidades habitacionais da população no planejamento urbano.
-Por: Lucas Leonardo, estudante de Jornalismo. Goiânia - GO