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Favelas crescem quase 50% mais rápido que cidades em Goiás
Levantamento do MapBiomas mostra que a área construída em comunidades urbanas avançou 1,40% em um ano, acima dos 0,95% registrados no conjunto das cidades goianas
04/11/2026 14h37
Por: Redação
Foto: Reprodução

As favelas e comunidades urbanas de Goiás cresceram quase 50% mais rápido que o conjunto das cidades do estado entre 2024 e 2025. Segundo levantamento do MapBiomas, a área construída nesses territórios aumentou 1,40% em um ano, enquanto a expansão urbana geral foi de 0,95%. Os dados mostram que as ocupações continuam avançando territorialmente, especialmente em regiões periféricas dos municípios goianos.

Em 2024, as áreas construídas em favelas e comunidades urbanas somavam 2.499 hectares. No ano seguinte, passaram para 2.534 hectares, um acréscimo de 35 hectares em apenas 12 meses.

Para dimensionar esse crescimento, a nova área ocupada equivale a aproximadamente 4,5 vezes o Parque Vaca Brava ou três vezes o Bosque dos Buritis, ambos localizados em Goiânia.

Já a área urbanizada total de Goiás passou de 225.968 hectares em 2024 para 228.106 hectares em 2025, com crescimento de 0,95%.

Embora o conjunto das cidades tenha registrado um aumento absoluto maior de território construído, as favelas apresentaram um ritmo proporcional de expansão mais acelerado.

Goiás tem 152 favelas e comunidades urbanas

O levantamento aponta que Goiás possui 152 favelas e comunidades urbanas oficialmente delimitadas, que ocupam uma área territorial total de 3.211 hectares.

Desse espaço, 2.534 hectares já estão cobertos por construções, ruas e outras superfícies impermeabilizadas.

A área construída nas comunidades representa aproximadamente 1,1% de toda a superfície urbanizada do estado.

O território ocupado por essas edificações é maior que o Parque Estadual Altamiro de Moura Pacheco, que possui cerca de 2.132 hectares.

Como comparação, a área construída das comunidades goianas corresponde a aproximadamente 11 bairros do tamanho do Setor Bueno, em Goiânia.

Levantamento mede área construída, não número de moradores

O MapBiomas utiliza imagens de satélite para acompanhar as transformações do território brasileiro desde 1985.

O coordenador do tema urbano do projeto, Júlio Pedrassoli, explica que o levantamento utiliza as delimitações de favelas e comunidades urbanas estabelecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Isso significa que o MapBiomas não classifica ou cria novas favelas, mas analisa como as áreas construídas se modificam dentro dos territórios já identificados pelo instituto.

Desde 2022, o IBGE utiliza oficialmente a denominação favelas e comunidades urbanas para territórios antes classificados como aglomerados subnormais.

Segundo a definição do instituto, essas áreas são formadas a partir de estratégias adotadas pela população, muitas vezes de maneira coletiva e autônoma, para atender às necessidades de moradia.

Pedrassoli destaca que o levantamento considera apenas a expansão horizontal das construções, ou seja, o aumento da superfície ocupada por edificações e ruas.

Por isso, os dados não indicam necessariamente crescimento da população nem contabilizam a construção de novos pavimentos em imóveis já existentes.

Expansão das comunidades supera média histórica

A diferença entre o crescimento das favelas e o conjunto das cidades também aparece na análise das últimas quatro décadas.

Segundo o MapBiomas, a área construída em comunidades urbanas de Goiás alcançou 2.534 hectares em 2025, valor 53,76% superior à média registrada entre 1985 e 2024, que foi de 1.648 hectares.

No mesmo período, a área urbanizada total do estado ficou 39,01% acima de sua média histórica, de 164.088 hectares.

Os números indicam que a ocupação construída em favelas apresentou crescimento proporcional mais acentuado quando comparada ao comportamento histórico da urbanização goiana.

De acordo com o levantamento, essa expansão costuma ocorrer em regiões próximas aos limites das cidades, onde novas construções avançam sobre áreas anteriormente cobertas por vegetação.

Luziânia tem a maior comunidade em área construída

A distribuição das favelas e comunidades urbanas também apresenta diferenças entre os municípios.

Em 2025, o Jardim Umuarama, em Luziânia, liderava o ranking estadual em extensão de área construída, com 146,32 hectares ocupados por edificações e vias.

Na segunda posição aparecia a comunidade Mansões Lago do Descoberto, em Águas Lindas de Goiás, com 124,58 hectares.

O Jardim Esperança, em Anápolis, ocupava o terceiro lugar, com 109,02 hectares de área construída.

Na Região Metropolitana de Goiânia, a comunidade com maior extensão urbanizada era o Virgínia Parque, em Aparecida de Goiânia.

Os dados consideram apenas as superfícies construídas, sem incluir as áreas de vegetação existentes dentro dos territórios delimitados.

Ocupação Marília Mendonça quase dobrou de tamanho em um ano

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O levantamento também identificou as comunidades que mais cresceram entre 2024 e 2025.

Em área absoluta, o maior avanço foi registrado em Mansões Lago do Descoberto, em Águas Lindas de Goiás. A superfície construída passou de 119,72 para 124,58 hectares, um acréscimo de 4,86 hectares.

Já o maior crescimento proporcional ocorreu na Ocupação Marília Mendonça, em Aparecida de Goiânia.

A comunidade passou de 4,72 hectares em 2024 para 9,38 hectares em 2025, praticamente dobrando sua extensão construída em apenas um ano.

O aumento foi de 4,66 hectares, equivalente a aproximadamente 98,7% da área registrada no ano anterior.

O resultado colocou a ocupação entre os principais exemplos de expansão territorial acelerada identificados pelo levantamento em Goiás.

Crescimento reforça debate sobre planejamento urbano

Os dados do MapBiomas mostram que a expansão das áreas construídas em favelas e comunidades urbanas ocorre em ritmo superior ao crescimento urbano geral de Goiás.

Esse cenário traz informações relevantes para o planejamento das cidades, especialmente em questões relacionadas à moradia, infraestrutura, saneamento, mobilidade e preservação de áreas verdes.

A expansão horizontal também exige atenção à ocupação de regiões periféricas, onde a oferta de serviços públicos pode não acompanhar o crescimento das construções.

Entretanto, o levantamento não permite concluir, isoladamente, se houve aumento da população dessas comunidades ou piora das condições habitacionais.

Com 152 favelas e comunidades urbanas delimitadas, Goiás registrou 35 hectares adicionais de área construída nesses territórios em apenas um ano. O avanço reforça a importância de acompanhar como as cidades crescem e de considerar as necessidades habitacionais da população no planejamento urbano.

-Por: Lucas Leonardo, estudante de Jornalismo. Goiânia - GO