As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3), foram marcadas por vitórias históricas de mulheres, negros, indígenas, latinos e integrantes da comunidade LGBTQIA+ em diferentes estados. Entre os resultados confirmados ou projetados nesta quarta-feira (4) estão a eleição da primeira mulher negra para governar um estado americano, da primeira mulher indígena para o cargo de governadora e do primeiro homem abertamente gay eleito para o Senado federal.
As chamadas midterms renovaram todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 vagas no Senado e governos estaduais. A votação também marcou a conquista da maioria democrata nas duas Casas do Congresso, alterando o equilíbrio político durante os dois últimos anos do mandato do presidente Donald Trump.
Apesar do avanço democrata, os marcos de representatividade não ficaram restritos ao partido. Candidatos republicanos também conquistaram vitórias inéditas.
A democrata Keisha Lance Bottoms venceu a eleição para o governo da Geórgia e se tornou a primeira mulher negra eleita governadora de um estado na história dos Estados Unidos.
Ex-prefeita de Atlanta entre 2018 e 2022, ela derrotou o republicano Rick Jackson, apoiado por Donald Trump.
Durante a campanha, Bottoms defendeu a ampliação do Medicaid, programa público de assistência à saúde, a redução de impostos sobre imóveis e investimentos na educação.
Sua vitória também representa a retomada do governo da Geórgia pelos democratas, que não venciam a disputa desde 1998.
Em New Hampshire, Chris Pappas, do Partido Democrata, venceu a disputa pelo Senado e tornou-se o primeiro homem abertamente gay eleito para a Casa.
Pappas já exercia mandato na Câmara dos Representantes e derrotou o republicano John Sununu, apoiado por Trump.
O resultado representa um marco para a presença de pessoas LGBTQIA+ no Senado americano, que já contava com mulheres assumidamente lésbicas entre seus integrantes.
A democrata Deb Haaland foi eleita governadora do Novo México, tornando-se a primeira mulher indígena a conquistar o comando de um estado americano.
Integrante do povo Laguna Pueblo, Haaland já havia protagonizado outros marcos na política dos Estados Unidos.
Em 2018, foi uma das duas primeiras mulheres indígenas eleitas para o Congresso. Entre 2021 e 2025, durante o governo Joe Biden, tornou-se a primeira pessoa indígena a comandar o Departamento do Interior.
Agora, amplia sua trajetória política com a vitória no governo estadual.
O republicano Byron Donalds foi eleito governador da Flórida, tornando-se o primeiro político negro a ocupar o cargo no estado.
Deputado federal e aliado de Donald Trump, Donalds construiu sua campanha em torno de propostas de redução de impostos, segurança pública e crescimento econômico.
Sua eleição representa um marco para a representatividade racial no Partido Republicano e mantém a legenda à frente do governo da Flórida.
A democrata Annie Andrews venceu a disputa pelo Senado na Carolina do Sul e se tornou a primeira mulher eleita para representar o estado na Casa.
Ela derrotou Darline Graham, republicana que havia assumido o cargo por nomeação após a morte do senador Lindsey Graham, em julho.
Durante a campanha, Andrews apresentou propostas relacionadas ao custo de vida, à qualidade dos serviços públicos e ao combate à corrupção.
O resultado também representa uma mudança política em um estado historicamente favorável aos republicanos.
No Texas, Gina Hinojosa, de 52 anos, venceu a eleição para governadora e se tornou a primeira mulher latina a ocupar o cargo.
A democrata derrotou Greg Abbott, que estava à frente do estado havia quase 12 anos.
Advogada e deputada estadual, Hinojosa defendeu mudanças na educação pública, medidas relacionadas ao custo de vida e maior fiscalização sobre novos centros de dados.
Sua vitória também encerrou uma longa sequência de governos republicanos no Texas.
A democrata Melat Kiros, de 29 anos, conquistou uma vaga pelo 1º Distrito do Colorado na Câmara dos Representantes.
Advogada e integrante do movimento socialista democrático, ela se tornou a primeira mulher negra eleita para representar o estado no Congresso.
Kiros também integra uma nova geração de parlamentares americanos, formada por políticos nascidos a partir do fim da década de 1990.
Sua eleição amplia a participação da chamada Geração Z na política federal.
O democrata Adam Hamawy foi eleito deputado federal pelo 12º Distrito de Nova Jersey, tornando-se o primeiro muçulmano a representar o estado no Congresso americano.
Ex-cirurgião do Exército dos Estados Unidos, Hamawy integra a ala progressista do Partido Democrata.
Entre suas propostas estão a criação de um sistema universal de saúde pública e o cancelamento de dívidas médicas e estudantis.
Sua eleição amplia a diversidade religiosa na representação federal americana.
Em Nova York, a democrata Claire Valdez conquistou uma cadeira na Câmara dos Representantes pelo 7º Distrito.
Integrante do povo indígena Ysleta del Sur Pueblo, ela será a primeira mulher indígena a representar Nova York no Congresso.
Valdez já atuava na política estadual e pertence à ala progressista do Partido Democrata.
Sua campanha recebeu o apoio do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.
A médica Amy Acton, do Partido Democrata, foi eleita governadora de Ohio após derrotar o republicano Vivek Ramaswamy.
Com o resultado, tornou-se a primeira mulher eleita para comandar o estado.
Ex-diretora do Departamento de Saúde de Ohio, Acton apresentou propostas relacionadas à redução de impostos sobre propriedades e ao controle dos custos de energia.
Sua vitória também encerrou um período de governos republicanos no estado.
O democrata Xavier Becerra venceu a disputa pelo governo da Califórnia, sucedendo Gavin Newsom.
Filho de imigrantes mexicanos, ele se tornou o primeiro latino eleito governador do estado na era moderna.
Becerra já foi deputado federal, procurador-geral da Califórnia e secretário de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos durante o governo Joe Biden.
Na campanha, apresentou críticas às políticas de Trump e defendeu medidas relacionadas à saúde pública e à economia estadual.
Os resultados das eleições de 2026 representam mudanças na composição dos governos estaduais e do Congresso americano.
Pela primeira vez, mulheres negras e indígenas conquistaram determinados cargos de governo, enquanto candidatos de diferentes origens étnicas, religiosas e identidades de gênero alcançaram posições inéditas na política nacional.
As vitórias também ocorreram em estados tradicionalmente associados a um dos dois principais partidos americanos, mostrando alterações importantes em disputas locais.
Os novos representantes assumirão seus cargos conforme o calendário de posse de cada estado e do Congresso, cuja nova legislatura começa em janeiro de 2027.
A eleição marca, assim, uma ampliação da diversidade entre os políticos escolhidos para representar a população americana, em um momento de mudanças no controle do Legislativo federal.
-Por: Lucas Leonardo, estudante de Jornalismo. Goiânia - GO