
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou uma reunião nesta quinta-feira (5), em Brasília, para discutir o crescimento da dívida pública brasileira e os rumos da política econômica do governo. O encontro reúne integrantes da atual equipe econômica, ex-ministros da Fazenda e economistas próximos ao presidente, em meio à pressão do mercado financeiro por medidas de controle dos gastos públicos.
Participam da reunião o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, e os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega.
Também estão entre os participantes os economistas Eduardo Moreira, Laura Carvalho e Luciano Coutinho, ex-presidente do BNDES, além do ministro do Planejamento, Bruno Moretti, e da ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck.
A reunião ocorre após a reeleição de Lula e em um momento de incerteza sobre a condução da política fiscal durante seu quarto mandato, que começará em janeiro de 2027.
O principal tema do encontro é a trajetória de crescimento da dívida pública brasileira, que já ultrapassou 80% do Produto Interno Bruto (PIB).
O indicador representa a relação entre a dívida do governo e o tamanho da economia nacional. Quanto maior essa proporção, maior tende a ser a preocupação com a capacidade do país de estabilizar suas contas ao longo do tempo.
A elevação da dívida tem provocado cobranças de investidores e economistas por um plano de ajuste fiscal capaz de conter o crescimento das despesas e melhorar os resultados das contas públicas.
O desafio do governo é conciliar a redução do desequilíbrio fiscal com a manutenção de programas sociais e outras políticas defendidas por Lula durante a campanha eleitoral.
Além dos gastos públicos, a discussão envolve o impacto dos juros sobre o endividamento do país e as perspectivas de crescimento econômico.
Antes do encontro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que a reunião foi convocada diretamente pelo presidente da República.
Segundo ele, o objetivo é compartilhar diferentes avaliações sobre a situação econômica e discutir possíveis caminhos para os próximos meses.
“A reunião foi chamada pelo presidente da República. Ele me comunicou previamente. Eu não tenho maiores informações, a convocação não foi feita por aqui, mas é mais um esforço aqui da gente dividir os cenários, os diagnósticos”, afirmou.
Durigan também disse que pretende apresentar ideias que estão sendo avaliadas pelo Ministério da Fazenda.
O ministro, entretanto, indicou que não há previsão de anúncio de novas medidas fiscais nos próximos dias.
A expectativa é que as discussões avancem nas próximas semanas, após novos encontros e a viagem internacional prevista na agenda presidencial.
Apesar da presença de integrantes da atual e de antigas equipes econômicas, dois nomes ligados às discussões sobre o futuro do governo ficaram fora do encontro.
O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), citado como possível candidato ao Ministério da Fazenda em 2027, não participa da reunião.
Fonteles tem sido mencionado nas articulações sobre a composição da equipe econômica do quarto mandato de Lula, mas ainda não existe confirmação de que será escolhido para o cargo.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também foi convidado, mas não comparece ao encontro, segundo informações de fontes do governo.
A ausência dos dois ocorre em um momento de especulações sobre mudanças na equipe econômica e sobre a estratégia que será adotada pelo Planalto a partir do próximo ano.
Além da reunião com economistas, Lula prepara um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão para o próximo domingo (8).
A expectativa é que o presidente reafirme o compromisso com o equilíbrio das contas públicas e procure transmitir segurança aos investidores, sem abandonar as promessas de manutenção dos programas sociais.
Segundo informações divulgadas pela Reuters, o discurso deverá apresentar diretrizes gerais da política econômica para o próximo mandato, mas não incluirá o anúncio de medidas fiscais específicas.
O pronunciamento ocorre após a reação negativa do mercado financeiro à reeleição de Lula, marcada por preocupações com a trajetória da dívida e as perspectivas para os gastos públicos.
O governo também enfrenta dúvidas sobre a composição da equipe econômica de 2027, especialmente em relação à permanência de Dario Durigan no Ministério da Fazenda.
A reunião desta quinta-feira faz parte dos esforços do governo para avaliar alternativas capazes de estabilizar a dívida pública e definir prioridades econômicas para os próximos anos.
Entre os desafios estão a necessidade de melhorar o resultado das contas públicas, administrar o custo dos juros e preservar recursos para investimentos e programas sociais.
Lula também pretende ampliar as conversas com economistas de diferentes correntes e representantes do setor produtivo antes de definir os próximos passos da política fiscal.
Por enquanto, o governo não anunciou um novo pacote de ajuste. A expectativa é que as discussões desta quinta-feira contribuam para a elaboração de propostas que possam ser apresentadas nas próximas semanas, enquanto o presidente busca reduzir a insegurança do mercado sobre a economia brasileira.