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Entenda a onda de ameaças de bomba em voos pela Europa
Nova série de alertas nesta quinta-feira (5) provocou desvios, pousos de emergência e escoltas militares em diferentes países; inspeções não encontraram explosivos, e autoridades investigam a origem das ameaças
05/11/2026 13h16 Atualizada há 13 horas
Por: Redação
Foto: Reprodução

Uma nova onda de ameaças de bomba atingiu voos comerciais na Europa nesta quinta-feira (5), provocando pousos de emergência, desvios de rota e mobilização de aeronaves militares. Pelo menos 16 voos foram afetados, segundo levantamentos divulgados ao longo do dia. Atualizações da imprensa europeia chegaram a contabilizar 18 aeronaves envolvidas em alertas. Até o momento, nenhuma das inspeções realizadas identificou explosivos. 

Os incidentes foram registrados em rotas envolvendo países como Irlanda, França, Itália, Bulgária, República Tcheca, Romênia, Espanha e Bélgica. Em alguns casos, aviões precisaram alterar o destino; em outros, receberam escolta militar ou foram inspecionados após aterrissar normalmente.

A sequência de alertas começou no início da semana. Na terça-feira (3), pelo menos sete voos e um navio de cruzeiro já haviam recebido ameaças semelhantes, que também não resultaram na descoberta de artefatos explosivos.

Avião com 151 passageiros é desviado para base militar na França

Um dos principais incidentes desta quinta-feira envolveu o voo EI402, da Aer Lingus, que havia decolado de Dublin, na Irlanda, com destino a Roma, na Itália.

Após um alerta de bomba, a aeronave foi desviada para a base aérea de Évreux, na Normandia, cerca de 100 quilômetros a oeste de Paris.

Segundo autoridades francesas, os 151 passageiros e seis tripulantes desembarcaram em segurança. Equipes especializadas foram mobilizadas para inspecionar o avião.

A Força Aérea francesa também participou da operação de segurança, com o acompanhamento da aeronave até o pouso.

Em outro episódio, um avião da Finnair, que viajava de Helsinque para Roma, foi escoltado por caças da Força Aérea italiana. A aeronave pousou no destino previsto, e as verificações não identificaram explosivos.

Um segundo voo associado à Finnair, com destino a Viena, também recebeu um alerta, mas aterrissou normalmente. 

Bulgária e República Tcheca mobilizam equipes de segurança

Na Bulgária, três aeronaves receberam ameaças durante a manhã.

Dois voos que haviam partido de Copenhague, na Dinamarca, e Madri, na Espanha, aterrissaram em Sófia, capital búlgara.

Uma terceira aeronave, procedente de Londres, foi desviada para o aeroporto de Plovdiv, a segunda maior cidade do país.

As autoridades realizaram inspeções nas aeronaves e informaram que nenhum objeto suspeito foi encontrado.

Na República Tcheca, quatro aviões com destino a Praga também foram alvo de ameaças.

A polícia informou que os alertas chegaram por mensagens eletrônicas anônimas e acionou os protocolos de segurança do Aeroporto Václav Havel.

As quatro aeronaves foram vistoriadas após os pousos, sem identificação de explosivos. A investigação foi encaminhada à unidade policial especializada em terrorismo, extremismo e crimes cibernéticos. 

Alertas também atingem Romênia, Bélgica e Espanha

Na Romênia, um avião da Wizz Air, que fazia a rota entre Milão e Bucareste com aproximadamente 200 passageiros, recebeu uma ameaça e passou por procedimentos especiais de segurança. A verificação não encontrou explosivos.

Um voo da companhia polonesa LOT, de Varsóvia para Bruxelas, também foi alvo de um alerta. O avião aterrissou em segurança na capital belga, sem que objetos suspeitos fossem identificados.

Na Espanha, três voos relacionados ao Aeroporto de Madri-Barajas receberam ameaças. As forças de segurança realizaram verificações e descartaram os riscos.

Outras duas aeronaves com destino ao Aeroporto de Malpensa, em Milão, também foram submetidas a procedimentos de segurança.

O conjunto de ocorrências provocou atrasos, mudanças de rota e mobilização de agentes especializados em diferentes aeroportos europeus. 

Mais de 20 ameaças foram registradas durante a semana

A sequência de episódios não se limita aos casos desta quinta-feira.

Na terça-feira (3), quatro voos da Ryanair sofreram ameaças de bomba, provocando inspeções na Itália, Espanha e Bulgária.

Aeronaves procedentes de Lisboa e Dublin foram verificadas no aeroporto de Fiumicino, em Roma. Passageiros, tripulantes e bagagens passaram por procedimentos de segurança, sem que explosivos fossem encontrados.

Na Espanha, um voo vindo de Manchester acionou o protocolo de emergência no aeroporto de Múrcia.

Na Bulgária, outra aeronave que havia partido de Dublin aterrissou em segurança em Sófia, com 185 passageiros a bordo.

Também foram registrados alertas envolvendo companhias como Wizz Air, LOT Polish Airlines e SAS Scandinavian Airlines.

Segundo levantamentos divulgados nesta quinta-feira, mais de 20 ameaças falsas já haviam sido registradas na Europa ao longo da semana, com a Ryanair entre as companhias mais afetadas. 

Quem está por trás das ameaças?

A origem das mensagens ainda é desconhecida. As autoridades não identificaram publicamente os responsáveis nem estabeleceram uma ligação comprovada entre os diferentes incidentes.

Parte dos alertas foi enviada por e-mails anônimos a aeroportos, o que levantou suspeitas sobre uma possível ação coordenada.

Os episódios ocorrem em um contexto de preocupação das autoridades europeias com ataques híbridos, termo usado para descrever ações que buscam provocar instabilidade sem necessariamente envolver confrontos militares diretos.

Governos europeus têm acusado Rússia e Irã de envolvimento em operações de sabotagem e desestabilização no continente. Os dois países negam essas acusações.

Não há, porém, evidências divulgadas que permitam atribuir a atual onda de ameaças de bomba a qualquer país, organização ou grupo específico.

Especialistas apontam que, mesmo quando os alertas são falsos, os impactos são significativos. Uma ameaça pode exigir a retirada de passageiros, inspeção de bagagens, mobilização de equipes antibombas e reorganização de rotas aéreas. 

Autoridades reforçam segurança após novos alertas

Apesar do número de ocorrências, as companhias aéreas e os órgãos de segurança informaram que os voos afetados aterrissaram em segurança.

As autoridades europeias continuam investigando a origem das ameaças e a possibilidade de relação entre os diferentes episódios.

A Comissão Europeia também acompanha a situação e mantém contato com os países atingidos.

Até esta quinta-feira (5), nenhum artefato explosivo havia sido encontrado nas aeronaves inspecionadas. A sucessão de alertas, no entanto, mantém as autoridades em estado de atenção diante dos transtornos provocados ao transporte aéreo e da possibilidade de novas ocorrências.