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Presidente do Paraguai anuncia renúncia após crise bancária
Presidente do Paraguai anuncia renúncia após crise bancária
05/11/2026 13h22 Atualizada há 14 horas
Por: Redação
Foto: Reprodução

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que vai renunciar ao cargo, em meio à crise financeira envolvendo o Ueno Bank. O fechamento da instituição provocou protestos no país e levou à abertura de um processo de impeachment contra o chefe de Estado, acusado pela oposição de envolvimento em irregularidades relacionadas ao banco.

Segundo a imprensa paraguaia, a renúncia ainda precisa ser aceita pelo Congresso Nacional. Uma sessão parlamentar deverá ser convocada para analisar o pedido e definir os próximos passos da transição política.

Peña assumiu a Presidência em 2023 e estava no centro das controvérsias após a intervenção do Banco Central do Paraguai na instituição financeira, que possui milhões de clientes e concentra recursos públicos.

Entenda a crise do Ueno Bank

O Ueno Bank, pertencente ao Grupo Vázquez, suspendeu suas operações na terça-feira (3), após o Banco Central do Paraguai iniciar um processo de liquidação da instituição.

A medida foi adotada depois que o órgão regulador identificou um déficit nos índices de solvência do banco, relacionado à concessão de empréstimos a empresas vinculadas ao grupo.

A situação provocou preocupação entre os correntistas, que enfrentaram dificuldades para acessar seus recursos. O banco possuía aproximadamente 3 milhões de clientes.

Além dos depósitos de pessoas físicas e empresas, a instituição concentrava cerca de US$ 850 milhões, equivalentes a R$ 4,6 bilhões, em recursos públicos, incluindo valores do Instituto de Previdência Social.

Ligação de Peña com banco gera acusações

Santiago Peña, economista de orientação conservadora, foi acionista do grupo proprietário do Ueno Bank até março de 2025.

A antiga participação empresarial do presidente passou a ser questionada pela oposição após a identificação dos problemas financeiros da instituição.

Parlamentares oposicionistas acusaram Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central.

As acusações motivaram a abertura de um processo de impeachment contra o presidente.

Durante uma sessão parlamentar, a deputada da oposição Rocío Vallejo criticou o chefe de Estado e o responsabilizou politicamente pela dimensão da crise.

“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou”, afirmou Vallejo.

As declarações representam acusações da oposição, e não conclusões judiciais sobre a responsabilidade de Peña.

Presidente promete punição aos responsáveis

Antes do anúncio da renúncia, Santiago Peña afirmou, em publicação na rede social X, que os responsáveis pelas irregularidades identificadas no Ueno Bank deverão responder perante a Justiça, sem exceções.

O presidente também promulgou uma lei destinada a acelerar a devolução do dinheiro aos clientes da instituição financeira.

Em sua manifestação, pediu que as disputas políticas não se sobreponham à necessidade de proteger os correntistas afetados pela crise.

“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, declarou.

Congresso deverá analisar renúncia

Com o anúncio da saída de Santiago Peña, o Paraguai entra em uma nova etapa da crise política desencadeada pelos problemas financeiros do Ueno Bank.

A formalização da renúncia depende da análise do Congresso, que deverá convocar uma sessão para decidir sobre sua aceitação.

Enquanto isso, permanecem os desdobramentos das investigações sobre as operações do banco e as medidas para garantir a devolução dos recursos aos depositantes.

A saída anunciada por Peña ocorre em meio à pressão popular e parlamentar provocada pela crise bancária. A decisão do Congresso será determinante para oficializar a renúncia e estabelecer os próximos passos do governo paraguaio.

-Por: Lucas Leonardo, estudante de Jornalismo. Goiânia - GO