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Senado do Paraguai rejeita pedido de Peña para adiar impeachment
Presidente solicitou mais 72 horas para preparar sua defesa após ser acusado no Congresso; processo avançou mesmo depois de ele apresentar uma carta de renúncia
06/11/2026 11h56 Atualizada há 2 horas
Por: Redação
Foto: Reprodução

O Senado do Paraguai retomou nesta sexta-feira (6) o processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña, que solicitou o adiamento de sua defesa por 72 horas. O pedido ocorre em meio à crise política e financeira provocada pela intervenção no Ueno Bank, instituição que deixou milhões de clientes sem acesso ao dinheiro depositado. Peña apresentou sua renúncia na quinta-feira (5), mas o Congresso não concluiu a análise do pedido e deu continuidade ao julgamento político.

O presidente justificou a solicitação de adiamento afirmando que recebeu a acusação formal na noite de quinta-feira, às 22h15, acompanhada de aproximadamente 300 páginas de documentos. Segundo ele, o prazo de menos de 12 horas para preparar a defesa seria insuficiente para garantir seus direitos.

Durante a sessão desta sexta-feira, senadores divergiram sobre a concessão do prazo adicional. Parte dos parlamentares defendeu a continuidade imediata do processo, enquanto outros argumentaram que seria necessário assegurar tempo adequado para a defesa.

Congresso mantém processo mesmo após renúncia

A crise política se agravou na quinta-feira, quando Santiago Peña anunciou, por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, sua decisão de renunciar à Presidência.

Na declaração, ele pediu desculpas à população afetada pela crise bancária e afirmou que a saída do cargo buscava preservar a estabilidade institucional do Paraguai.

Entretanto, a renúncia presidencial depende de apreciação pelo Congresso. A sessão conjunta convocada para analisar o documento foi interrompida por falta de quórum, deixando o pedido sem decisão.

Enquanto isso, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a acusação que deu início ao julgamento político contra Peña.

O processo foi encaminhado ao Senado, responsável por analisar as acusações, receber a defesa e decidir sobre uma eventual destituição.

Como a renúncia ainda não havia sido aceita, Peña permanecia formalmente no exercício da Presidência durante a retomada do julgamento.

Crise do Ueno Bank motivou acusações

O processo de impeachment começou depois que o Banco Central do Paraguai determinou, na terça-feira (3), a intervenção no Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras digitais do país.

A medida foi adotada após a identificação de problemas de solvência, incluindo insuficiência de recursos para cumprir as exigências regulatórias.

A suspensão das operações deixou cerca de três milhões de clientes sem acesso imediato às contas e aos depósitos.

O banco também concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores relacionados ao Instituto de Previdência Social do Paraguai.

Peña foi acionista de uma empresa vinculada ao grupo controlador do Ueno Bank até março de 2025, quando se desfez de sua participação.

Após a intervenção, parlamentares da oposição passaram a acusar o presidente de conflito de interesses e de possível favorecimento à instituição financeira.

Também surgiram questionamentos sobre a aplicação de recursos públicos e a atuação do Banco Central na fiscalização do banco.

As suspeitas são objeto de investigação e não representam comprovação de responsabilidade criminal do presidente, que nega irregularidades.

Intervenção bancária provoca protestos e prisões

A paralisação dos serviços do Ueno Bank levou milhares de paraguaios às ruas de Assunção e de outras cidades nos últimos dias.

Os manifestantes exigem a liberação dos depósitos e a responsabilização dos envolvidos na crise.

A situação também provocou a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que havia comandado a financeira Ueno antes de assumir a autoridade monetária.

Na esfera judicial, a investigação levou à prisão de dirigentes do banco e à apuração de possíveis irregularidades na concessão de empréstimos e na administração dos recursos financeiros.

As autoridades paraguaias trabalham em mecanismos para ressarcir os correntistas atingidos, enquanto o Ministério Público investiga a participação dos responsáveis pela instituição.

O que pode acontecer com Santiago Peña?

Pela Constituição paraguaia, a condenação do presidente em um processo de impeachment exige o apoio de dois terços dos 45 integrantes do Senado, equivalente a pelo menos 30 votos.

Se o julgamento resultar na destituição, Peña perderá o mandato e não terá direito à condição de senador vitalício, prevista para ex-presidentes em determinadas circunstâncias.

Nesse cenário, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência e completar o mandato, previsto para terminar em agosto de 2028.

A continuidade do julgamento também tem implicações para as investigações sobre o escândalo bancário, já que a destituição pode alterar as prerrogativas institucionais do presidente.

O caso permanece em análise no Senado, enquanto a crise do Ueno Bank mantém a pressão sobre o governo e amplia as cobranças pela devolução do dinheiro aos correntistas.

-Por: Lucas Leonardo, estudante de Jornalismo. Goiânia - GO