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Governo prepara plano para expandir carros elétricos no Brasil
Equipe terá até oito meses para elaborar propostas de expansão dos pontos de recarga, adaptação da rede elétrica e incentivo à produção nacional de baterias
06/11/2026 17h49 Atualizada há 20 horas
Por: Redação
Foto: Reprodução

O governo federal aprovou, nesta sexta-feira (6), a criação de um grupo de trabalho para desenvolver um plano nacional voltado à expansão dos veículos elétricos e híbridos no Brasil. A decisão foi tomada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e busca preparar a infraestrutura energética do país para acompanhar o crescimento da frota eletrificada, além de estimular o desenvolvimento da indústria brasileira de baterias.

A iniciativa será conduzida pelo Ministério de Minas e Energia (MME), que terá 120 dias para apresentar as primeiras propostas. O prazo poderá ser prorrogado por mais 120 dias, totalizando até oito meses de atividades.

Entre os principais desafios estão a ampliação da rede de carregadores, a modernização do sistema de distribuição de energia e a criação de condições para que o Brasil amplie sua participação na fabricação de componentes utilizados em veículos elétricos.

Vendas de veículos elétricos e híbridos crescem no Brasil

A decisão ocorre em um momento de expansão do mercado de automóveis eletrificados. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o Brasil contabilizou 381.609 emplacamentos de veículos leves elétricos e híbridos entre janeiro e setembro de 2026.

O resultado representa um volume 70,4% superior às 223.912 unidades comercializadas durante todo o ano de 2025. Os dados consideram veículos totalmente elétricos e diferentes categorias de híbridos, incluindo modelos que não precisam ser conectados à tomada.

Em setembro, o país também ultrapassou a marca de 1 milhão de veículos leves eletrificados vendidos desde 2012, ano em que a entidade iniciou sua série histórica de acompanhamento do setor.

A expansão das vendas aumenta a necessidade de planejamento da infraestrutura energética, principalmente para atender aos modelos que dependem de carregamento externo.

Ampliação dos pontos de recarga será prioridade

Um dos principais objetivos do grupo será identificar soluções para expandir a disponibilidade de estações de carregamento em áreas urbanas, rodovias e outros locais de circulação de veículos.

O crescimento da frota também exige atenção à capacidade das redes de distribuição de energia elétrica. Em regiões com grande concentração de carregadores, o aumento simultâneo do consumo pode exigir reforços na infraestrutura existente.

O planejamento deverá considerar medidas para evitar sobrecargas e garantir a estabilidade do fornecimento de eletricidade, especialmente diante da instalação de carregadores de maior potência.

A ampliação da infraestrutura é considerada uma das condições para facilitar o uso cotidiano dos veículos elétricos, permitindo que motoristas tenham mais opções de abastecimento durante deslocamentos urbanos e viagens.

Governo quer estimular fabricação de baterias no país

Além da estrutura de carregamento, o governo pretende estudar alternativas para desenvolver a cadeia produtiva nacional de baterias e outros equipamentos utilizados na eletrificação dos transportes.

O trabalho incluirá análises sobre a disponibilidade e o aproveitamento de minerais estratégicos, como lítio, níquel e grafite, matérias-primas importantes para diferentes tecnologias de armazenamento de energia.

Esses recursos são utilizados na fabricação de componentes que permitem armazenar a eletricidade necessária ao funcionamento dos veículos. O aumento da produção mundial de automóveis elétricos tem ampliado a importância econômica e industrial desses minerais.

O grupo também deverá avaliar os impactos ambientais relacionados à extração das matérias-primas, à fabricação e ao descarte das baterias, considerando alternativas para reduzir resíduos e estimular práticas mais sustentáveis.

A proposta é identificar oportunidades para ampliar a produção brasileira de componentes, fortalecer fornecedores nacionais e reduzir a dependência de equipamentos importados.

Grupo terá cinco frentes de trabalho

As atividades serão organizadas em cinco áreas técnicas, responsáveis por estudar diferentes aspectos da expansão da mobilidade elétrica no país.

As frentes contemplarão:

A coordenação ficará sob responsabilidade do Ministério de Minas e Energia, comandado por Alexandre Silveira (PSD), com participação de representantes de outros oito ministérios.

Também integrarão os trabalhos instituições como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Propostas poderão orientar investimentos e políticas públicas

A criação do grupo não representa a implantação imediata de novas estações de recarga ou de incentivos à compra de veículos elétricos. Nesta etapa, o objetivo será reunir estudos e elaborar recomendações para orientar futuras decisões do governo.

Ao final do prazo estabelecido, as propostas poderão servir de base para medidas relacionadas à infraestrutura energética, ao desenvolvimento industrial e à mobilidade de baixo carbono.

Com o crescimento das vendas de veículos eletrificados, o desafio será transformar a expansão do mercado em uma estratégia de longo prazo, capaz de acompanhar a demanda por energia e criar oportunidades para a indústria brasileira.