O governo federal aprovou, nesta sexta-feira (6), a criação de um grupo de trabalho para desenvolver um plano nacional voltado à expansão dos veículos elétricos e híbridos no Brasil. A decisão foi tomada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e busca preparar a infraestrutura energética do país para acompanhar o crescimento da frota eletrificada, além de estimular o desenvolvimento da indústria brasileira de baterias.
A iniciativa será conduzida pelo Ministério de Minas e Energia (MME), que terá 120 dias para apresentar as primeiras propostas. O prazo poderá ser prorrogado por mais 120 dias, totalizando até oito meses de atividades.
Entre os principais desafios estão a ampliação da rede de carregadores, a modernização do sistema de distribuição de energia e a criação de condições para que o Brasil amplie sua participação na fabricação de componentes utilizados em veículos elétricos.
A decisão ocorre em um momento de expansão do mercado de automóveis eletrificados. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o Brasil contabilizou 381.609 emplacamentos de veículos leves elétricos e híbridos entre janeiro e setembro de 2026.
O resultado representa um volume 70,4% superior às 223.912 unidades comercializadas durante todo o ano de 2025. Os dados consideram veículos totalmente elétricos e diferentes categorias de híbridos, incluindo modelos que não precisam ser conectados à tomada.
Em setembro, o país também ultrapassou a marca de 1 milhão de veículos leves eletrificados vendidos desde 2012, ano em que a entidade iniciou sua série histórica de acompanhamento do setor.
A expansão das vendas aumenta a necessidade de planejamento da infraestrutura energética, principalmente para atender aos modelos que dependem de carregamento externo.
Um dos principais objetivos do grupo será identificar soluções para expandir a disponibilidade de estações de carregamento em áreas urbanas, rodovias e outros locais de circulação de veículos.
O crescimento da frota também exige atenção à capacidade das redes de distribuição de energia elétrica. Em regiões com grande concentração de carregadores, o aumento simultâneo do consumo pode exigir reforços na infraestrutura existente.
O planejamento deverá considerar medidas para evitar sobrecargas e garantir a estabilidade do fornecimento de eletricidade, especialmente diante da instalação de carregadores de maior potência.
A ampliação da infraestrutura é considerada uma das condições para facilitar o uso cotidiano dos veículos elétricos, permitindo que motoristas tenham mais opções de abastecimento durante deslocamentos urbanos e viagens.
Além da estrutura de carregamento, o governo pretende estudar alternativas para desenvolver a cadeia produtiva nacional de baterias e outros equipamentos utilizados na eletrificação dos transportes.
O trabalho incluirá análises sobre a disponibilidade e o aproveitamento de minerais estratégicos, como lítio, níquel e grafite, matérias-primas importantes para diferentes tecnologias de armazenamento de energia.
Esses recursos são utilizados na fabricação de componentes que permitem armazenar a eletricidade necessária ao funcionamento dos veículos. O aumento da produção mundial de automóveis elétricos tem ampliado a importância econômica e industrial desses minerais.
O grupo também deverá avaliar os impactos ambientais relacionados à extração das matérias-primas, à fabricação e ao descarte das baterias, considerando alternativas para reduzir resíduos e estimular práticas mais sustentáveis.
A proposta é identificar oportunidades para ampliar a produção brasileira de componentes, fortalecer fornecedores nacionais e reduzir a dependência de equipamentos importados.
As atividades serão organizadas em cinco áreas técnicas, responsáveis por estudar diferentes aspectos da expansão da mobilidade elétrica no país.
As frentes contemplarão:
Infraestrutura elétrica: planejamento da rede de distribuição e ampliação das estações de recarga.
Indústria e minerais críticos: desenvolvimento da fabricação nacional de baterias e aproveitamento de matérias-primas estratégicas.
Descarbonização: avaliação de medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa no setor de transportes.
Veículos pesados: análise de alternativas para eletrificação de ônibus, caminhões e outros veículos de grande porte.
Políticas públicas: elaboração de propostas para incentivar a mobilidade sustentável e orientar o crescimento do setor.
A coordenação ficará sob responsabilidade do Ministério de Minas e Energia, comandado por Alexandre Silveira (PSD), com participação de representantes de outros oito ministérios.
Também integrarão os trabalhos instituições como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
A criação do grupo não representa a implantação imediata de novas estações de recarga ou de incentivos à compra de veículos elétricos. Nesta etapa, o objetivo será reunir estudos e elaborar recomendações para orientar futuras decisões do governo.
Ao final do prazo estabelecido, as propostas poderão servir de base para medidas relacionadas à infraestrutura energética, ao desenvolvimento industrial e à mobilidade de baixo carbono.
Com o crescimento das vendas de veículos eletrificados, o desafio será transformar a expansão do mercado em uma estratégia de longo prazo, capaz de acompanhar a demanda por energia e criar oportunidades para a indústria brasileira.