
A Secretaria de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) investiga um caso suspeito de intoxicação por metanol em Água Boa, a 736 quilômetros de Cuiabá. A vítima é o empresário Igor Thomae Rodrigues, de 27 anos, que perdeu a visão após ingerir uma garrafa de whisky comprada em um mercado da cidade.
Igor relatou que começou a passar mal poucas horas após consumir a bebida com uma amiga — que não apresentou sintomas.
No dia seguinte, sentiu fortes dores de cabeça, enjoo, vômitos e falta de ar. Em seguida, percebeu alterações na visão.
“Minha visão ficou branca, como se houvesse duas lanternas acesas dentro dos olhos. Eu via tudo claro, mas sem nitidez”, contou o empresário.
Ele foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado ao Hospital Regional Paulo Alemão, onde recebeu diagnóstico inicial de intoxicação por etanol, mas sem confirmação laboratorial.
Dois dias depois, pediu alta e seguiu para Goiânia, onde está internado em um hospital particular.
Segundo uma médica oftalmologista consultada pela família, o nervo óptico de Igor estaria comprometido, com sinais compatíveis de lesão causada por metanol. “Os médicos disseram que há 99,9% de chance de ser metanol”, relatou a vítima.
A SES-MT confirmou o acompanhamento do caso e informou que aguarda o resultado dos exames laboratoriais para confirmar a substância.
Após a denúncia, a Polícia Civil, com apoio da Vigilância Sanitária, deflagrou nesta quarta-feira (22) uma operação de fiscalização em bares, mercados e distribuidoras da região.
De acordo com as autoridades, outros consumidores também apresentaram sintomas adversos entre os dias 11 e 14 de outubro, após ingerirem bebidas alcoólicas vendidas em Água Boa e municípios vizinhos.
A SES-MT orienta a população a não consumir bebidas de origem duvidosa e a procurar atendimento médico imediato em caso de sintomas como tontura, dor de cabeça, náusea ou alterações visuais.
O metanol, também conhecido como álcool de madeira, é uma substância altamente tóxica usada em combustíveis e solventes industriais.
Segundo o Ministério da Saúde, os sintomas da intoxicação podem aparecer entre 12 e 24 horas após a ingestão, e a mortalidade pode ultrapassar 50% se o tratamento não for feito rapidamente.
Quando o atendimento é precoce, a taxa de sobrevivência pode subir para 90%.
Enquanto aguarda o resultado dos exames, Igor segue internado em Goiânia sob acompanhamento de oftalmologistas e especialistas em intoxicação. A força-tarefa estadual continua recolhendo amostras das bebidas suspeitas para análise laboratorial.