
O governo do Rio de Janeiro confirmou nesta quarta-feira (29) mais de 120 mortes na megaoperação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte da capital. Segundo o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, o número inclui quatro policiais e 117 suspeitos. A Operação Contenção, deflagrada na terça-feira (28), já é considerada a mais letal da história do estado.
Moradores da Penha afirmam que dezenas de corpos foram retirados de áreas de mata durante a madrugada e levados até a Praça São Lucas, formando uma fila com mais de 70 corpos. O secretário Felipe Curi confirmou a localização de 63 corpos e anunciou a abertura de um inquérito para apurar possível fraude processual e manipulação de imagens na remoção dos mortos.
Nas redes sociais, o governador Cláudio Castro (PL) divulgou um vídeo alegando que houve tentativa de alterar a cena do crime para culpar a polícia. Ele reafirmou que, “de vítimas, só houve policiais” e criticou o governo federal, dizendo que o Rio teve três pedidos de apoio das Forças Armadas negados.
Nesta quarta-feira, Castro se reuniu com os governadores Eduardo Leite (RS), Tarcísio de Freitas (SP), Ronaldo Caiado (GO) e Jorginho Melo (SC) para discutir ações conjuntas de segurança pública.
Em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência com os ministros da Justiça, Defesa e Casa Civil para discutir a crise de segurança no Rio. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que o governo estadual não apresentou pedido formal de apoio federal e que o governador “precisa assumir suas responsabilidades ou admitir que não tem controle da situação”.
O governo federal também confirmou a transferência de dez presos ligados a facções criminosas para presídios federais, após descobrir que parte das ações violentas era coordenada de dentro das cadeias.
Diante da repercussão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anunciou a instalação da CPI do Crime Organizado para a próxima terça-feira. A comissão vai investigar a estrutura, a expansão e o funcionamento de milícias e facções criminosas em todo o país.
De acordo com a Polícia Civil, a Operação Contenção mobilizou 2.500 agentes, com apoio do Ministério Público, 32 blindados, helicópteros e drones. O governo afirma que o objetivo era atingir lideranças do Comando Vermelho, após mais de um ano de investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).
A operação teve ampla repercussão internacional. O jornal britânico The Guardian classificou o episódio como “o dia mais violento da história recente do Rio de Janeiro”. Já o argentino Clarín descreveu o cenário como “de guerra”, e o espanhol El País destacou o “nível de letalidade sem precedentes”.