
O governo do Rio de Janeiro divulgou nesta sexta-feira (31) o balanço mais recente da Operação Contenção, que se tornou a ação policial mais letal da história do estado, com 121 mortos, entre eles quatro policiais. A operação, deflagrada nos complexos do Alemão e da Penha, teve como alvo o Comando Vermelho (CV) e envolveu mais de 2.500 agentes das forças de segurança.
Segundo o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, 99 corpos já foram identificados. Desse total, 78 tinham antecedentes criminais por homicídio, tráfico de drogas e associação criminosa, e 42 possuíam mandados de prisão em aberto. Pelo menos 40 mortos eram de outros estados, entre eles Pará, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás e Espírito Santo, o que, segundo as autoridades, comprova o alcance nacional da facção.
As investigações apontam que os complexos do Alemão e da Penha funcionavam como quartel-general do Comando Vermelho, servindo de base para treinamentos, decisões estratégicas e distribuição de drogas e armas para comunidades em todo o país. A polícia estima que o grupo movimentava cerca de 10 toneladas de entorpecentes e até 50 fuzis por mês, abastecendo 24 comunidades diretamente ligadas à facção.
Entre os mortos estão nove chefes do tráfico de outros estados, identificados pelos codinomes PP, Chico Rato, Mazola, Gringo, FB, DG, Fernando Henrique dos Santos, Rodinha e Russo — apontados como líderes regionais do Comando Vermelho. O principal alvo da operação, Edgar Alves de Andrade, o Doca, segue foragido. O Disque Denúncia oferece R$ 100 mil por informações que levem à sua captura.
Apesar do grande número de mortos e presos, apenas 20 dos 100 mandados de prisão previstos foram cumpridos. Outros 15 alvos morreram em confrontos, e 113 pessoas foram presas, a maioria em flagrante. As forças de segurança classificaram o resultado como “um golpe contra o narcoterrorismo”, mas o Ministério Público e a Defensoria Pública acompanham as perícias e cobram investigações sobre as circunstâncias das mortes.
A operação, que começou na terça-feira (28), ainda mantém policiamento reforçado nas regiões da Penha e do Alemão. O governo do estado afirma que a ação faz parte de uma política permanente de enfrentamento ao crime organizado e promete novas etapas para desarticular a estrutura nacional da facção.