
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para receber a visita do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), em sua casa no Jardim Botânico, em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto.
A solicitação também inclui o secretário de Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite, e o deputado federal Evair de Melo (PP-ES). Moraes tem permitido visitas apenas em dias determinados e com pessoas previamente autorizadas.
Em entrevista coletiva, Caiado confirmou o pedido, mas afirmou que o encontro será de “caráter pessoal e político”, negando que vá pedir apoio à sua pré-candidatura à Presidência em 2026.
“Ninguém tem direito de cobrar do ex-presidente Bolsonaro que ele apoie A ou B. Ele é dono desse espólio e vai decidir na hora que achar certo”, afirmou o governador.
O goiano disse ainda que mantém “relação de amizade e respeito” com Bolsonaro e que a conversa deve abordar temas como política nacional, saúde e segurança pública, sem um foco específico em alianças eleitorais.
O último encontro entre Bolsonaro e Caiado ocorreu em junho deste ano, no Palácio das Esmeraldas, em Goiânia, quando discutiram a formação de uma frente unificada da direita.
Agora, a nova reunião deve acontecer antes de eventual transferência do ex-presidente para o presídio da Papuda, também em Brasília.
Caiado tem reforçado um discurso de endurecimento na segurança pública e de críticas ao governo Lula, em linha com a estratégia de consolidar seu nome entre eleitores de direita.
A defesa de Bolsonaro já teve outros pedidos de visitas negados. O deputado Gustavo Gayer (PL-GO), por exemplo, foi impedido de se encontrar com o ex-presidente por ser investigado em um processo conexo à tentativa de golpe.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, em regime fechado, por liderar a tentativa de golpe de Estado, e aguarda o julgamento dos recursos no STF.