
Os Estados Unidos aprovaram um financiamento de até US$ 465 milhões para a Serra Verde Pesquisa e Mineração (SVPM), sediada em Minaçu, norte de Goiás. O aporte, confirmado pela Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional (DFC) — braço de investimento do Departamento de Estado norte-americano —, visa fortalecer a produção de terras raras, minerais considerados estratégicos para as tecnologias do futuro.
A Serra Verde é hoje a única mineradora fora da Ásia a produzir, em escala comercial, os quatro elementos magnéticos essenciais: disprósio (Dy), térbio (Tb), neodímio (Nd) e praseodímio (Pr) — insumos indispensáveis para a fabricação de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos de alta tecnologia.
O investimento da DFC será destinado à mina Pela Ema, com vida útil estimada em 25 anos, para financiar melhorias operacionais, refinanciamento de dívidas e custos de transação.
Segundo a mineradora, o projeto “ainda passa por etapas de revisão” antes da conclusão definitiva.
“Quando o processo for encerrado, poderemos fornecer informações precisas sobre o financiamento”, informou a empresa em nota.
A DFC, criada em 2019 durante o governo Donald Trump, atua no apoio a setores considerados estratégicos para os EUA, como minerais críticos, infraestrutura e tecnologia avançada.
“A DFC investe em setores estratégicos, fomentando o desenvolvimento econômico, apoiando os interesses dos EUA e gerando retorno para os contribuintes americanos”, afirma o texto oficial da agência.
As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos abundantes na natureza, mas de difícil separação. Eles são classificados como:
Leves: lantânio, cério, praseodímio e neodímio;
Médios: samário, európio e gadolínio;
Pesados: térbio, disprósio, hólmio, túlio, itérbio, lutécio e ítrio.
O Brasil detém a segunda maior reserva mundial, atrás apenas da China, segundo o Serviço Geológico dos EUA (USGS). O país asiático ainda domina o setor, respondendo por mais de 60% da produção global e 90% do refino dos minerais.
O interesse dos EUA no Brasil ganhou força após o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) confirmar, em julho, que o governo americano busca diversificar sua dependência da China no fornecimento desses elementos estratégicos.
Fundada em 2010, a Serra Verde iniciou seu projeto após anos de estudos e obteve licença ambiental de operação em 2023, iniciando produção comercial em 2024.
“A Serra Verde abriga um dos maiores depósitos de argila iônica fora da Ásia, com vantagens competitivas e ambientais, por operar em uma área consolidada e próxima de fontes de energia renovável”, afirmou o presidente Ricardo Grossi.
A empresa já havia recebido investimentos de US$ 300 milhões de fundos internacionais como Energy and Minerals Group, Vision Blue Resources e Denham Capital antes do financiamento da DFC.
O projeto em Goiás coloca o Brasil no centro da disputa geopolítica por minerais críticos e estratégicos, reforçando o papel do país na transição energética global e na nova corrida por autonomia tecnológica entre Estados Unidos e China.