
O estado de Goiás marcou presença no primeiro dia oficial da COP30, em Belém (PA), com a apresentação de um estudo inédito que coloca o estado entre as referências mundiais no combate às mudanças climáticas.
De acordo com os dados, Goiás atingiu balanço líquido positivo de 513 milhões de toneladas de CO₂ equivalente até 2024, o que significa que a vegetação nativa do Cerrado goiano sequestra mais carbono da atmosfera do que o estado emite.
“No que diz respeito à mudança do uso da terra, nós já somos carbono positivo. Temos mais biomassa florestal do que perda de cobertura vegetal”, afirmou a secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Andréa Vulcanis, durante painel sobre governança climática.
O levantamento foi desenvolvido pelo Earth Innovation Institute (EII), de Berkeley (EUA), a partir de dados de sensoriamento remoto da Chloris Geospatial, que mapeou o estoque de carbono e a regeneração de vegetação no estado entre 2000 e 2024, com precisão de até 10 metros.
O mapa mostra que quase todo o território goiano aparece em tons de verde, indicando aumento da biomassa — especialmente no Sudoeste do estado, região que apresentou forte regeneração.
“Isso significa que houve crescimento de vegetação, ganho de biomassa e avanço na recuperação ambiental”, explicou o coordenador do programa, João Pedro Gurgel e Silvas.
Segundo Vulcanis, o avanço é resultado de políticas públicas de combate ao desmatamento e incêndios florestais, além da adoção de práticas sustentáveis pela agropecuária e do licenciamento ambiental mais rigoroso.
Goiás apresentou ainda o menor índice de desmatamento da história, segundo o Projeto Prodes/Inpe.
Entre agosto de 2024 e julho de 2025, a área desmatada foi de apenas 231 km² — uma queda de 72% em relação a anos anteriores e a menor marca desde o início da série histórica, em 2001.
Nos primeiros anos da medição, Goiás chegou a registrar mais de 6 mil km² desmatados por ano.
“Essa conquista é fruto da modernização das políticas ambientais e da conscientização do produtor rural. Estamos provando que é possível produzir e preservar”, destacou Vulcanis.
Com 0,3°C de aumento médio por década desde 1985, Goiás é uma das regiões brasileiras mais sensíveis às mudanças climáticas.
Por isso, especialistas reforçam que a agropecuária deve ser aliada, e não adversária, na busca pela neutralidade de carbono.
“Cravado no Cerrado — o berço das águas do Brasil —, Goiás mostra que pode ser um protagonista global na agenda climática”, destacou o jornal O Popular, que acompanha a delegação goiana em Belém.
Hoje, cerca de 50% das emissões do estado vêm da pecuária, especialmente do metano, mas o balanço líquido indica que a recuperação da vegetação supera as emissões.
“A vegetação nativa do Cerrado está absorvendo mais carbono do que o desmatamento e as queimadas estão liberando. Goiás passou de emissor a sequestrador de gases do efeito estufa”, comemorou Andréa Vulcanis.
Com resultados apresentados à ONU, Goiás consolida sua imagem como um Estado “carbono positivo” e referência em sustentabilidade no Cerrado, mostrando que desenvolvimento e preservação podem caminhar juntos.