
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) que pretende indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no STF com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. A conversa ocorreu na noite de segunda-feira (17), no Palácio do Planalto, e frustrou expectativas de que o mineiro pudesse ser o escolhido.
Segundo interlocutores próximos aos dois, Lula disse a Pacheco que o vê como nome essencial na disputa pelo governo de Minas Gerais em 2026. O presidente afirmou que, pela experiência acumulada no Congresso e pela projeção nacional, o senador teria condições de liderar uma candidatura competitiva no estado.
Lula também ressaltou que, para Minas e para o país, seria mais importante contar com Pacheco no Executivo estadual do que no Supremo. O gesto, porém, provocou reação imediata no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), defensor da indicação do mineiro ao STF, demonstrou irritação com o sinal dado pelo Planalto.
A escolha para o Supremo depende de aprovação dos senadores, critério que Lula tem considerado na articulação política. Mesmo assim, o presidente tem repetido a aliados que a prerrogativa da indicação é exclusiva do chefe do Executivo e que não pretende abrir mão do direito de escolher seu candidato ao tribunal.
A rejeição de um indicado ao STF, embora possível, é rara. Em 134 anos, o Senado barrou apenas cinco nomes — todos durante o governo Floriano Peixoto, no fim do século XIX. Desde então, 172 ministros foram aprovados.
Se confirmada a indicação de Messias, o Planalto inicia uma disputa complexa no Senado, ao mesmo tempo em que movimenta o cenário eleitoral de Minas Gerais para 2026.