
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta segunda-feira (24) que a sabatina de Jorge Messias, indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal, será realizada “no momento oportuno”. Em nota, Alcolumbre ressaltou que “cada Poder da República atua dentro de suas próprias atribuições, preservando o equilíbrio institucional”.
A manifestação ocorre horas após Messias divulgar comunicado buscando diálogo com o Senado. Para assumir a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, Messias ainda precisa ser sabatinado pela CCJ e aprovado pelo plenário, com no mínimo 41 votos.

Alcolumbre foi um dos principais defensores do nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para o STF e se irritou com a decisão de Lula de escolher Jorge Messias sem consultá-lo previamente. Segundo aliados, o presidente do Senado não deve atuar para facilitar a aprovação do indicado — e agora o ambiente ficou “ainda mais adverso” após a prisão preventiva de Jair Bolsonaro, no sábado (22).
No governo, a avaliação é de que a detenção do ex-presidente elevará a tensão política e deve aparecer na sabatina como tema sensível. O Planalto teme que senadores usem o caso como instrumento de pressão e desgaste.
Nos bastidores, Lula sinalizou que não indicará Pacheco para a vaga caso Messias seja rejeitado. A interlocutores, o presidente afirmou que não dará “prêmio” a Alcolumbre após derrota de sua indicação.
Em movimento calculado para diminuir resistências, Jorge Messias divulgou nota elogiando o presidente do Senado. O advogado-geral da União afirmou reconhecer “o relevante papel” de Alcolumbre e disse ter desenvolvido com ele “uma relação saudável, franca e amigável”.
Também prometeu visitar gabinetes e conversar pessoalmente com senadores, ouvindo preocupações e apresentando sua visão sobre o Judiciário. Messias lembrou que trabalhou no Senado, no gabinete de Jaques Wagner (PT), atual líder do governo na Casa.
Apesar da resistência de parte do Congresso, Messias recebeu apoio público do ministro André Mendonça, indicado por Bolsonaro ao STF.