
O prefeito Sandro Mabel (UB) intensificou, neste ano, uma série de testes com novos maquinários, revisão de processos internos e mudanças estruturais para reorganizar a Comurg. O plano inclui desde a mecanização de serviços até a possibilidade de abrir a estatal para sócios privados no futuro — mas a estratégia depende da regularização das certidões e das dívidas federais que hoje impedem a empresa de emitir notas e firmar contratos.
A gestão adquiriu cerca de 80 máquinas compactas para corte de grama e testa equipamentos de varrição mecanizada, que podem reduzir equipes e custos operacionais. Mabel afirma que a tecnologia permite mais agilidade e segurança. Um equipamento de varrição está em fase de avaliação, e o prefeito diz que pode buscar modelos europeus.
Hoje, o Consórcio Limpa Gyn é responsável pela varrição mecanizada nas principais avenidas da capital. A Prefeitura não pretende tirar a atribuição do consórcio, mas ampliar o serviço para bairros, com maior frequência semanal.
Outras tecnologias estão no radar, como uma máquina que eleva anéis de bocas de lobo após recapeamento e equipamentos de poda mecanizada para coqueiros e árvores altas.
Mabel também quer implantar um sistema integrado de monitoramento urbano com câmeras e inteligência artificial, instaladas nos caminhões da Comurg e da Limpa Gyn. O sistema identificaria buracos, sujeira, pontos de poda e outros danos, informando metragem, profundidade e estimativa de massa asfáltica. A ferramenta ainda está em fase de especificação técnica.
A Prefeitura projeta que a Comurg volte a prestar serviços para terceiros, como Equatorial, Ceasa, indústrias e condomínios, mas hoje depende da emissão de certidões. A meta é faturar de 5% a 10% do orçamento anual com clientes externos no próximo ano.
A abertura da Comurg a sócios privados é uma hipótese citada por Mabel, mas ainda inicial. O modelo avaliado prevê que o município mantenha 51% das ações e investidores estratégicos assumam os demais 49%. Segundo o prefeito, o objetivo é atrair parceiros com tecnologia, capacidade de investimento e expertise operacional. Exemplos internacionais, como companhias na Itália, inspiram o desenho inicial.
Para isso, a Prefeitura trabalha para regularizar as dívidas federais da Comurg com INSS, Receita Federal e FGTS, que somam pagamentos mensais entre R$ 2,36 milhões e R$ 2,6 milhões por dez anos. O passivo impede a emissão de certidões e reduz o valor da empresa.
A estatal também precisa manter balanços auditados, ponto em que a gestão diz já ter avançado — hoje, os demonstrativos são entregues, segundo Mabel, com até 15 a 20 dias de diferença do fechamento do mês.
A Prefeitura pretende estruturar uma diretoria comercial e reorganizar processos internos para que a Comurg possa atuar também fora de Goiânia, oferecendo limpeza e manejo de resíduos a clientes públicos e privados.
O contrato com o Consórcio Limpa Gyn termina no próximo ano. Mabel não descarta renovação, mas condiciona a decisão ao preço, capacidade de investimento e adesão às tecnologias exigidas pela Prefeitura, como câmeras e inteligência artificial nos caminhões.
Ele reforça que há ampla concorrência no setor e não vê risco de descontinuidade caso seja necessário abrir licitação.
Segundo o prefeito, a atuação da Limpa Gyn “melhorou” após ajustes internos na própria Prefeitura, que antes repassava demandas desencontradas. Hoje, afirma, o serviço é considerado “bom”.