
A clínica do médico João Paulo Peloso Reis e Passos, suspeito de ameaçar uma servidora da Vigilância Sanitária de Rio Verde, já havia sido interditada outras vezes por irregularidades sanitárias, segundo o delegado Márcio Marques. O profissional foi indiciado por coação no curso do processo e ameaça, junto com outros dois envolvidos.
De acordo com o delegado, a Vigilância Sanitária realizou fiscalizações no local em 2022, 2023 e 2025. Em todas, foram encontrados problemas como medicamentos vencidos, ambiente insalubre e descumprimento de protocolos obrigatórios.
As infrações mais recentes resultaram em novos autos e na interdição temporária da clínica. Após a última vistoria, segundo a polícia, o estabelecimento regularizou as pendências e retomou o funcionamento.
A prefeitura informou que não pode detalhar as fiscalizações anteriores devido às regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Na fiscalização mais recente, agentes encontraram novamente medicamentos vencidos e condições inadequadas para procedimentos cirúrgicos. A investigação aponta que, após essas autuações, João Paulo teria contratado um “detetive” em Anápolis, que chamou um segundo suspeito, para monitorar e intimidar a servidora responsável pela inspeção.
Mensagens enviadas à servidora citavam que “a conta chega para todos” e sugeriam até “cancelamento de CPF”, o que configurou ameaça grave.
Segundo a polícia, o primeiro detetive identificado colaborou com a investigação e apresentou recibos de pagamentos feitos pela clínica — cerca de R$ 7 mil pelo serviço de vigilância.
Os três envolvidos foram indiciados por ameaça e por coação no curso do processo, crime que consiste em usar violência ou grave ameaça para influenciar decisões em procedimentos judiciais, policiais ou administrativos.
Em nota, os advogados do médico afirmaram respeitar as autoridades, mas discordam das conclusões do inquérito. Eles defendem que ainda há fatos a serem produzidos no processo e dizem confiar no esclarecimento do caso e na Justiça.
O inquérito foi concluído e encaminhado ao Ministério Público, que deve decidir sobre o oferecimento da denúncia. A polícia sustenta que há robusto conjunto de provas sobre as ameaças. A defesa, por outro lado, afirma que os fatos serão esclarecidos ao longo da ação penal.