
Uma troca de tiros durante uma operação policial interditou a avenida Brasil, principal via expressa do Rio de Janeiro, na manhã desta quinta-feira (27). A ação integra mais um dia da Operação Barricada Zero, iniciativa do governo estadual para remover obstáculos instalados por criminosos em comunidades da zona norte.
De acordo com a Polícia Militar, a interdição total durou cerca de 15 minutos, e uma faixa das pistas central e lateral segue bloqueada nos dois sentidos. O tiroteio também afetou temporariamente a circulação de trens no ramal Saracuruna, já normalizada.
As equipes atuam simultaneamente nas comunidades Cidade Alta, Pica Pau, Kelsons, Quitungo, Tinta, Dourados, Dique, Furquim Mendes e Guaporé. O objetivo é desarticular estruturas usadas pelo crime organizado para controlar acessos e dificultar a entrada das forças de segurança.

Enquanto a operação avançava por outros pontos da zona norte, o Globocop registrou criminosos armados fugindo pela vegetação no Morro do Fubá, em Campinho. As imagens mostram homens caminhando em fila indiana, carregando fuzis e utilizando trilhas abertas na mata para escapar da chegada dos blindados da PM.
Moradores relataram intensa troca de tiros desde as primeiras horas da manhã, e policiais entraram na comunidade com veículos blindados.
Em meio à operação no Rio, o Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (26) o PL 3191/24, que transforma em crime a montagem de barricadas usadas para cometer ou ocultar crimes. A pena prevista é de 3 a 5 anos de prisão, além de multa.
Como o texto sofreu alterações, retorna à Câmara dos Deputados para nova análise antes de seguir para sanção presidencial.
A proposta deixa claro que manifestações políticas, greves e protestos sociais não serão criminalizados, desde que não tenham finalidade criminosa. “Obviamente, uma manifestação social não poderia constituir crime”, afirmou o relator, senador Carlos Portinho (PL-RJ).
O endurecimento legal ocorre no momento em que o Rio intensifica operações para remover barricadas que, segundo as forças de segurança, garantem controle territorial a facções e dificultam o trabalho policial.