
O mercado de trabalho brasileiro registrou um dos melhores resultados da série histórica da Pnad Contínua, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (28) pelo IBGE. A taxa de desemprego caiu para 5,4% no trimestre encerrado em outubro, o menor patamar desde o início da pesquisa, em 2012. Paralelamente, o instituto também informou que a expectativa de vida ao nascer subiu para 76,6 anos em 2024, consolidando a tendência de recuperação após a pandemia.
De acordo com o IBGE, cerca de 5,9 milhões de brasileiros estão desocupados, menor número já registrado pela série. A queda é ampla: recuo de 0,2 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e de 0,7 ponto frente ao mesmo período de 2024. A população ocupada chegou a 102,6 milhões, mantendo estabilidade no trimestre e crescendo na comparação anual.
A formalização segue em alta. O país alcançou 39,2 milhões de trabalhadores com carteira assinada, recorde histórico, enquanto o total de empregados sem carteira caiu para 13,6 milhões. A taxa de informalidade permaneceu em 37,8%, representando 38,8 milhões de pessoas.
O rendimento médio real ficou em R$ 3.528, e a massa salarial alcançou novo recorde: R$ 357,3 bilhões. Para o IBGE, a renda firme, mesmo com juros elevados, tem sustentado o consumo e favorecido a absorção de trabalhadores em setores como construção, educação, saúde e administração pública.
Os dados das Tábuas de Mortalidade de 2024 mostram que a expectativa de vida ao nascer passou de 76,4 para 76,6 anos, com avanço tanto para homens (73,3 anos) quanto para mulheres (79,9 anos). O Brasil retoma, assim, a trajetória interrompida pela Covid-19, quando o país registrou forte aumento da mortalidade.
A mortalidade infantil atingiu o menor nível da série: 12,3 mortes para cada mil nascidos vivos, resultado associado à vacinação, pré-natal, saneamento e programas de nutrição infantil. Em 1940, esse indicador era de 146,6 mortes por mil nascidos.
O envelhecimento também se intensifica. Uma pessoa de 60 anos tem hoje expectativa média de viver mais 22,6 anos — 20,8 anos no caso dos homens e 24,2 para mulheres.
O IBGE reforça que a chamada sobremortalidade masculina se mantém elevada. Homens de 20 anos têm 4,1 vezes mais chance que mulheres de não atingir os 25 anos, diferença que não existia em 1940. O fenômeno é explicado por maior exposição a mortes violentas, acidentes e hábitos de vida de risco.
O instituto projeta que a população brasileira continuará crescendo até 2041, quando deve atingir o pico de 220,4 milhões, e a partir de 2042 começará a cair, chegando a 199,2 milhões em 2070. O envelhecimento acelerado é um dos principais fatores que moldarão a economia e o mercado de trabalho nas próximas décadas.