
O número de mortos no incêndio que destruiu sete torres residenciais em Hong Kong subiu para 151, segundo autoridades de segurança do território. Nesta segunda-feira (1º), o governo informou que 14 pessoas foram detidas sob suspeita de irregularidades ligadas à reforma do conjunto habitacional Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po. As investigações apontam o uso de materiais abaixo dos padrões de segurança, o que teria contribuído para a rápida propagação das chamas.
A polícia segue vasculhando os prédios atingidos, onde corpos foram encontrados em escadas e telhados — moradores que tentavam fugir do fogo. Mais de 40 pessoas continuam desaparecidas. “Alguns dos corpos se transformaram em cinzas. Talvez não seja possível localizar todos os indivíduos desaparecidos”, disse a policial Tsung Shuk Yin.
Testes preliminares identificaram que a malha verde instalada nos andaimes de bambu não atendia às exigências de material retardante de fogo. Autoridades afirmam que empreiteiros utilizaram produtos inferiores em áreas de difícil inspeção, além de espuma isolante que alimentou as chamas. Alarmes de incêndio também falharam durante a tragédia.
Milhares de pessoas fizeram fila para prestar homenagens às vítimas, incluindo nove indonesianos e uma filipina que trabalhavam como domésticas. Vigílias também devem ocorrer em Tóquio, Londres e Taipé.
As buscas finais devem levar semanas, segundo a polícia. Imagens divulgadas mostram equipes de proteção caminhando entre destroços, salas carbonizadas e água acumulada após dias de combate ao incêndio. Mais de 1.100 moradores foram realocados para moradias temporárias; outros 680 estão abrigados em hotéis e albergues. O governo oferece auxílio emergencial e substituição gratuita de documentos.
O incêndio é o mais mortal em Hong Kong desde 1948, quando 176 pessoas morreram em um armazém. A tragédia ocorre às vésperas das eleições legislativas e reacendeu críticas sobre negligência em segurança predial. Pequim reagiu, afirmando que punirá qualquer tentativa de “usar o desastre para desestabilizar Hong Kong”.
No sábado, o ativista Miles Kwan, 24, foi detido após lançar uma petição que pedia investigação independente sobre possível corrupção. Outras duas prisões ocorreram por suposta intenção sediciosa, segundo o South China Morning Post. O escritório de segurança nacional chinês alertou que tentativas de “perturbar Hong Kong através do desastre” serão rigidamente reprimidas.