
Uma advogada, policiais militares e empresários foram presos em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal, suspeitos de integrar um esquema de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Civil, o grupo movimentou mais de R$ 7 milhões em dois anos oferecendo empréstimos com juros abusivos e utilizando métodos violentos de cobrança.
As investigações apontam que a quadrilha agia de forma organizada e recorria a intimidações com armas de fogo, agressões e ameaças diretas às vítimas, que relataram viver sob medo constante e forte pressão psicológica. Os presos passaram por audiência de custódia no sábado (29) e seguem detidos.
Vídeos mostram o sargento Herbert Francisco Póvoa, conhecido como Mike Póvoa, ameaçando e agredindo um homem com um taco de beisebol. Em outra gravação, ele aponta duas armas para um devedor, exige que se ajoelhe e pede desculpas. As imagens mostram ainda mulheres sendo ameaçadas — uma delas chega a ser enforcada pelo militar, enquanto outra tem uma arma apontada para a cabeça.
A advogada Tatiane Meireles, esposa do sargento, aparece nos vídeos fazendo uma oração sobre maços de dinheiro, pedindo que “o montante seja multiplicado” e que as dívidas “retornem” ao casal.
A Operação “Mão de Ferro”, deflagrada na sexta-feira (28), mobilizou cerca de 80 policiais civis para cumprir mais de 10 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão. De acordo com a Polícia Civil, a advogada atuava na “blindagem jurídica” do grupo e participava das cobranças.
O grupo é investigado pelos crimes de organização criminosa, agiotagem, extorsão, tortura, lavagem de dinheiro e outros delitos conexos. Nas buscas, os agentes apreenderam armas de fogo e cerca de R$ 10 mil em espécie.

A Polícia Militar de Goiás confirmou a prisão de três militares e afirmou, em nota, que a corporação “não compactua com desvios de conduta” e adotará todas as medidas administrativas cabíveis.
A OAB-GO determinou o afastamento preventivo de Tatiane Meireles de suas funções institucionais e classificou a conduta relatada como “absolutamente incompatível com a ética e a dignidade da advocacia”. A entidade informou que abrirá procedimento disciplinar para apurar o caso.
A defesa de Tatiane afirmou que informações sigilosas da investigação foram divulgadas indevidamente, em descumprimento a decisão judicial que determinou sigilo absoluto. Já o advogado Reginaldo Paixão, que representa o sargento Miguel Roberto Mendonça, declarou que ele é inocente e que ingressará com pedido de habeas corpus.
Conforme a investigação, as vítimas recorriam ao grupo para obter empréstimos e, ao atrasar pagamentos, eram submetidas a ameaças, espancamentos e intimidações gravadas pelos próprios agiotas para pressionar devedores. Os responsáveis também registravam e compartilhavam vídeos das agressões para impor medo.
O delegado Felipe Guerrieri afirmou que todas as informações sobre a operação estão concentradas na assessoria da Polícia Civil. A entrega de dados adicionais ainda não foi autorizada.
A operação segue em andamento e novas prisões não estão descartadas.