
A escalada de violência contra mulheres em Goiás voltou a registrar episódios graves neste fim de semana. Em Rio Verde, a técnica em enfermagem Rosilene Barbosa do Espírito Santo, 38 anos, foi assassinada pelo ex-marido com tiros à queima-roupa dentro de uma distribuidora de bebidas. Horas antes, em Senador Canedo, uma adolescente de 15 anos foi estuprada após ser abordada a caminho da escola. Nos dois casos, os suspeitos já estavam envolvidos em comportamentos violentos e a polícia investiga falhas na proteção das vítimas.
Rosilene Barbosa foi morta na tarde de sábado (29) por pelo menos quatro tiros. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o ex-marido se aproxima e dispara repetidamente contra ela. O homem se matou logo em seguida.
Segundo o delegado Adelson Candeo, Rosilene havia procurado a polícia há uma semana pedindo medida protetiva de urgência após sofrer ameaças. Para se proteger, ela e o filho de 12 anos estavam morando temporariamente na casa de uma amiga — a distribuidora onde ocorreu o crime ficava a poucos metros do local.
O casal era do Mato Grosso e vivia em Goiás há algum tempo. O filho, agora órfão, era o único familiar próximo da vítima na cidade.
A investigação busca esclarecer a origem da arma usada no crime e se o autor já a possuía havia mais tempo.

No início da manhã, por volta das 6h30, uma estudante de 15 anos foi abordada quando caminhava para a escola no Residencial Prado, em Senador Canedo. Câmeras de segurança registraram o suspeito conduzindo a adolescente até uma área de mata, duas quadras adiante, onde o abuso aconteceu.
Segundo a Polícia Militar, o homem — Fábio dos Santos Silva Barros, 36 anos — ameaçou a jovem antes de levá-la para o local. Ela contou o ocorrido à irmã e fez a denúncia poucas horas depois.
O suspeito foi preso no mesmo dia. Na mochila dele, policiais encontraram roupas com sujeira compatível com o terreno onde ocorreu o crime. Ele alegou que era namorado da adolescente, mas não sabia o nome nem a idade dela. Confrontado, confessou a violência.
Fábio usava tornozeleira eletrônica e tinha seis passagens por roubo, furto e estelionato — o que facilitou sua localização.
“Ele não sabia nome, não sabia idade, não sabia onde a vítima morava. A adolescente desmentiu e, depois, ele confessou o crime”, disse um policial que participou da prisão.
O caso aconteceu cerca de 10 dias após outro episódio semelhante registrado na mesma cidade.
Os casos reacendem a discussão sobre:
efetividade das medidas protetivas,
monitoramento de agressores reincidentes,
vulnerabilidade de mulheres e adolescentes em deslocamentos diários,
necessidade de resposta integrada entre segurança pública, assistência social e políticas de prevenção.
Em ambos, os suspeitos já apresentavam histórico de comportamento violento — e continuaram oferecendo risco mesmo após alertas prévios.