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Alcolumbre cancela sabatina de Jorge Messias e cria novo impasse entre governo e Senado

Presidente do Senado acusa governo Lula de omissão por não enviar oficialmente a indicação; enquanto cresce a percepção de que a aprovação está ameaçada, aliados evangélicos de Messias planejam levar uma comitiva de pastores ao Senado para pressionar parlamentares no dia da votação.

Redação
Por: Redação
02/12/2025 às 14h34 Atualizada em 02/12/2025 às 18h45
Alcolumbre cancela sabatina de Jorge Messias e cria novo impasse entre governo e Senado
Foto: Reprodução

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou nesta terça-feira (2/12) o cancelamento da sabatina de Jorge Messias, indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão eleva a tensão entre o Executivo e o Legislativo e coloca em risco a aprovação do nome escolhido pelo governo.

O cancelamento foi comunicado no plenário da Casa. Segundo Alcolumbre, o governo não enviou oficialmente a mensagem de indicação, embora ela tenha sido publicada no Diário Oficial da União e amplamente divulgada. Para o presidente do Senado, a ausência da formalização é uma “omissão grave e sem precedentes”.

Em nota, Alcolumbre explicou que havia definido o calendário prevendo a leitura do parecer em 3 de dezembro e a sabatina e votação em 10 de dezembro, com o objetivo de concluir o processo ainda em 2025. Sem a documentação oficial, disse ele, o Senado ficou impossibilitado de cumprir o cronograma.

Pressão política e resistência no Senado

O cancelamento ocorre em meio a uma disputa política intensa. Mesmo antes do anúncio, a indicação de Jorge Messias já enfrentava resistência no Senado — especialmente entre aliados de Alcolumbre, que defendiam o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga no STF.

Messias, atual advogado-geral da União, iniciou uma campanha ativa após ser anunciado por Lula, buscando senadores e enfatizando seu perfil religioso. Ele se apresenta como “um evangélico temente a Deus”, estratégia destinada a sensibilizar a base conservadora da Casa.

Mesmo assim, senadores relatam que a situação é delicada e que dificilmente Messias alcançará os 41 votos necessários sem um acordo direto entre Lula e Alcolumbre.

Aliados articulam ida de pastores ao Senado

Enquanto cresce a percepção de que a aprovação está ameaçada, aliados evangélicos de Messias planejam levar uma comitiva de pastores ao Senado para pressionar parlamentares no dia da votação.

A estratégia pretende mostrar que uma eventual rejeição do nome pode custar apoio eleitoral a senadores em 2026, já que 26,9% da população brasileira é evangélica, segundo o último censo.

O gesto busca reequilibrar a disputa após o mal-estar provocado pela escolha de Messias — vista como uma derrota por parte do Senado, que preferia Rodrigo Pacheco.

Identidade religiosa ganha centralidade na campanha

Messias tem reforçado publicamente sua ligação com o meio evangélico. No domingo (30), publicou uma mensagem nas redes sociais celebrando o Dia do Evangélico e citando uma passagem bíblica sobre harmonia e pacificação.

O movimento tenta reduzir resistências e aproximar Messias do eleitorado que tradicionalmente se opõe ao governo Lula. O presidente, por sua vez, também sinalizou aproximação ao receber, no Palácio do Planalto, o bispo Samuel Ferreira e líderes da Assembleia de Deus Ministério de Madureira — encontro do qual Messias participou.

Relatoria e próximos passos

Apesar do impasse, Alcolumbre escolheu o senador Weverton Rocha (PDT-MA) como relator da indicação — gesto interpretado como sinal de abertura ao diálogo. Weverton é aliado de Lula e próximo de Alcolumbre, o que pode facilitar a reaproximação entre as partes.

Ainda assim, sem o envio oficial da indicação, não há nova data prevista para a leitura do parecer ou para a sabatina e votação.

Caso o Senado rejeite Messias, Lula enfrentará a maior derrota política de seu atual mandato. Desde o fim do século 19, nenhum presidente teve um nome para o STF barrado pelo Legislativo — as últimas rejeições ocorreram no turbulento governo Floriano Peixoto.

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