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Senado aumenta imposto das bets, que custam R$ 38,8 bi ao país

Projeto eleva alíquota das apostas online e fintechs, enquanto pesquisa revela impacto econômico e social das bets, com perdas ligadas a suicídio, depressão e desemprego.

Redação
Por: Redação
02/12/2025 às 15h21
Senado aumenta imposto das bets, que custam R$ 38,8 bi ao país
Foto: Reprodução

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta terça-feira (2), por 21 votos a 1, o projeto que aumenta a carga tributária das casas de apostas online — as chamadas bets — e reforça a cobrança sobre fintechs e juros sobre capital próprio. O texto eleva de 12% para 18% a alíquota total sobre a receita das empresas do setor, com aplicação integral a partir de 2028. Entre 2026 e 2027, a tributação sobe para 15% em regime de transição.

A proposta também cria mecanismos de combate às casas de apostas ilegais, como um rito acelerado para derrubar sites irregulares e a obrigação de instituições financeiras monitorarem transações suspeitas. Fintechs e instituições de pagamento terão aumento gradual da CSLL, que chega a 15% em 2028.

O projeto recupera parte de medidas que estavam na MP do governo Lula, que perdeu validade após impasse na Câmara. A nova versão pode seguir diretamente para a Câmara dos Deputados, caso não haja recurso para levar o texto ao plenário do Senado. Para virar lei, ainda precisa ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante a votação, o relator, senador Eduardo Braga (MDB-AM), criticou a equipe econômica por recuos nas negociações e alertou que uma alta muito brusca poderia prejudicar empresas já regularizadas. Ainda assim, a expectativa é que o conjunto das medidas amplie a arrecadação federal em bilhões de reais nos próximos anos.


Estudo aponta prejuízo de R$ 38,8 bilhões ao país

A aprovação do aumento de tributos ocorre no mesmo dia em que um estudo inédito revelou o tamanho do impacto econômico e social causado pelas apostas online no Brasil. Segundo o relatório A saúde dos brasileiros em jogo, as bets provocam perdas anuais estimadas em R$ 38,8 bilhões, considerando danos associados a suicídios, depressão, desemprego, encarceramento e perda de moradia.

O levantamento é assinado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), pela organização Umane e pela Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental. Os pesquisadores apontam que o país já registra 17,7 milhões de apostadores e calcula em 12,8 milhões o número de pessoas em situação de risco devido ao vício em jogos.

Do total projetado, 78,8% das perdas (R$ 30,6 bilhões) estão vinculadas à saúde mental — incluindo tratamentos médicos, queda na qualidade de vida e mortes por suicídio.

O estudo destaca:

  • R$ 17 bilhões por mortes adicionais por suicídio

  • R$ 10,4 bilhões por perda de qualidade de vida com depressão

  • R$ 3 bilhões em tratamentos médicos

  • R$ 2,1 bilhões em seguro-desemprego

  • R$ 4,7 bilhões em encarceramento

  • R$ 1,3 bilhão em perda de moradia

Segundo os autores, a rápida expansão das plataformas, a falta de regulação robusta até 2023 e a ampla exposição midiática agravaram o endividamento e os transtornos psicológicos associados ao jogo compulsivo.


Arrecadação não cobre prejuízos

Apesar do volume de apostas — que chegou a R$ 240 bilhões movimentados em 2024, segundo o Banco Central — a arrecadação para o governo é considerada insuficiente. Até setembro, as bets tinham gerado R$ 6,8 bilhões em tributos, podendo chegar a R$ 12 bilhões no ano.

O estudo compara: mesmo essa arrecadação ampliada cobre apenas um terço do prejuízo estimado de R$ 38,8 bilhões.

Além disso, apenas 1% do total arrecadado é destinado ao Ministério da Saúde, sem vinculação obrigatória para políticas de saúde mental no SUS.


Sugestões para o Brasil

O Ieps propõe medidas como:

  • aumentar a parcela da arrecadação destinada à saúde;

  • treinar profissionais do SUS para acolhimento de jogadores com dependência;

  • proibir propagandas e lançar campanhas nacionais de conscientização;

  • restringir o acesso de menores e grupos vulneráveis;

  • endurecer regras para operadoras.

A diretora do instituto, Rebeca Freitas, alerta que a ausência de uma regulação firme “potencializa riscos de endividamento, adoecimento e impactos à saúde mental”.

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