
O Ibovespa voltou a quebrar um marco histórico nesta terça-feira (2), ao ultrapassar pela primeira vez os 160 mil pontos durante o pregão da B3. Às 15h45, o principal índice da Bolsa brasileira avançava 1,13%, atingindo 160,3 mil pontos, depois de cravar a máxima intradiária de 160.472,50 pontos. Na véspera, o índice havia fechado em queda de 0,29%, aos 158,6 mil pontos.
Mesmo com a sequência de recordes, a Bolsa acumula leve baixa de 0,29% em dezembro, mas mantém forte valorização de 31,83% em 2025.
O dólar operava em queda ao longo do dia. Às 14h40, a moeda americana recuava 0,49%, cotada a R$ 5,332. A mínima do dia foi de R$ 5,329 e a máxima de R$ 5,363. Na segunda-feira, o dólar havia subido 0,43%, a R$ 5,358. No acumulado do ano, a moeda registra perdas de 13,3% frente ao real.
O movimento positivo na Bolsa e a queda do dólar foram influenciados pela divulgação dos dados da produção industrial brasileira, que teve alta de 0,1% em outubro, segundo o IBGE. O resultado interrompeu parte da desaceleração do setor, ainda que o dado seja modesto.
Na comparação anual, a indústria recuou 0,5%. No acumulado de janeiro a outubro, o crescimento chega a 0,8%, e em 12 meses, a 0,9%.
Entre os setores pesquisados, 12 dos 25 aumentaram a produção. A principal influência positiva veio das indústrias extrativas, que avançaram 3,6%, encerrando dois meses de quedas consecutivas.
O mercado financeiro segue atento às sinalizações de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou em evento da XP que não há motivos para alterar a perspectiva de manutenção da Selic em 15% ao ano. Ele reforçou que a política monetária seguirá restritiva “pelo tempo que for necessário”.
O Boletim Focus trouxe novo alívio nas expectativas de inflação:
2025: previsão recuou de 4,45% para 4,43%
2026: de 4,18% para 4,17%
Nos Estados Unidos, investidores acompanham discursos de dirigentes do Federal Reserve, incluindo Jerome Powell. A expectativa majoritária é de mais um corte de 0,25 ponto percentual nos juros, hoje entre 3,75% e 4% ao ano. Segundo a ferramenta FedWatch, 87,2% dos investidores apostam na redução.
Para o especialista Bruno Shahini, da Nomad, o enfraquecimento global do dólar e o bom desempenho das moedas emergentes apoiam a valorização do real.
“O câmbio recebeu suporte adicional do fluxo estrangeiro para a Bolsa e dos dados de emprego, que mostraram desemprego em mínima histórica. Esse conjunto ampliou a percepção de que os juros podem permanecer elevados por mais tempo, favorecendo o diferencial de taxas e mantendo pressão baixista sobre o dólar”, afirmou.