
O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil cresceu 0,1% no terceiro trimestre de 2025 em relação aos três meses anteriores, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (4) pelo IBGE. O resultado confirma a perda de ritmo da economia, influenciada sobretudo pela política monetária mais rígida para conter a inflação. O desempenho ficou ligeiramente abaixo da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,2%.
A economia já vinha desacelerando após crescimento de 1,5% no primeiro trimestre e de 0,3% no segundo. A Selic está em 15% ao ano desde junho, após um ciclo de alta iniciado em 2024 — movimento que encarece o crédito e freia o consumo.
O setor de serviços, que concentra o maior peso no PIB, praticamente não cresceu entre julho e setembro, com variação de 0,1%, após altas de 0,3% e 1% nos trimestres anteriores. A indústria, por outro lado, acelerou e avançou 0,8%, impulsionada principalmente pelas indústrias extrativas, que cresceram 1,7% com destaque para a extração de petróleo e gás.
Construção (1,3%) e transformação (0,3%) também voltaram ao terreno positivo após dois trimestres de queda. A agropecuária cresceu 0,4%, revertendo o recuo de 1,4% no trimestre anterior.
O consumo das famílias subiu apenas 0,1% no trimestre, reflexo direto dos juros altos. Apesar disso, o mercado de trabalho ainda aquecido — com renda em alta e desemprego em queda — colaborou para evitar uma retração maior.
Os investimentos produtivos, medidos pela FBCF, cresceram 0,9%, recompondo parte da queda de 1,5% registrada no trimestre anterior.
O período também foi marcado pelo tarifaço do presidente Donald Trump, que elevou tarifas sobre centenas de produtos brasileiros a partir de agosto. Mesmo assim, as exportações brasileiras cresceram 3,3% no trimestre, e as importações avançaram 0,3%. Segundo o IBGE, o efeito das tarifas foi “menor que o esperado” e concentrado em setores específicos, já que parte dos exportadores conseguiu redirecionar vendas a outros mercados.
O PIB atingiu R$ 3,2 trilhões no trimestre — o maior nível da série histórica iniciada em 1996 — e cresceu 1,8% na comparação anual.
As projeções indicam desaceleração gradual da economia. O mercado prevê alta de 2,16% para o PIB em 2025, segundo o boletim Focus, enquanto o Ministério da Fazenda projeta 2,2%. Para 2026, as estimativas variam entre 1,7% e 2,4%.
Economistas apontam que a Selic elevada contribuiu para esfriar a atividade, mas também ajudou a reduzir a inflação e elevar a renda real dos trabalhadores. Há expectativa de cortes de juros no início de 2026.
A FGV indica que a demanda interna segue acima da oferta há dez trimestres, pressionando preços. Já o IBGE revisou o crescimento do segundo trimestre para 0,3% e do primeiro para 1,5%.
Para especialistas, o cenário desafiador até o fim de 2025 exigirá equilíbrio entre estímulos econômicos, responsabilidade fiscal e credibilidade, especialmente às vésperas das eleições de 2026.