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Maduro fala com Trump e recebe o empresário Joesley Batista

Ditador busca diálogo enquanto EUA ampliam mobilização militar e Joesley Batista tenta atuar como mediador discreto entre Caracas e Washington

Redação
Por: Redação
04/12/2025 às 17h51
Maduro fala com Trump e recebe o empresário Joesley Batista
Foto: Reprodução

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, confirmou nesta quarta-feira (3) que conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no dia 23 de novembro. A ligação, revelada inicialmente pela imprensa americana e confirmada por Trump no último domingo (30), ocorreu em meio à maior mobilização militar dos EUA na América Latina em décadas.

“Conversei com o presidente dos EUA, Donald Trump. Posso dizer que a conversa foi em tom de respeito, um diálogo cordial entre o presidente dos EUA e o presidente da Venezuela”, afirmou Maduro. Ele disse esperar que o contato abra caminho para um “diálogo respeitoso” entre os dois países e repetiu que Caracas “sempre buscará a paz”.

A confirmação ocorre enquanto Washington intensifica a pressão sobre o regime venezuelano, oficialmente sob justificativa de combate ao narcotráfico, mas, segundo setores linha-dura da Casa Branca, com o objetivo explícito de forçar Maduro a deixar o poder.

 

EUA pressionam por saída de Maduro e discutem uso de força

Sob Trump, o governo americano mobilizou navios e aeronaves militares próximos ao território venezuelano. O porta-aviões USS Gerald Ford, o maior navio de guerra do mundo, está na região. O presidente norte-americano também disse recentemente que pode ordenar ataques aéreos contra alvos em solo venezuelano “muito em breve”, o que equivaleria, na prática, à abertura de um conflito direto.

Nos bastidores, o secretário de Estado, Marco Rubio, pressiona Trump a abandonar qualquer tentativa de diálogo e autorizar o uso de força militar. Parte da Casa Branca, porém, advoga por uma negociação que incluiria participação dos EUA na indústria de petróleo da Venezuela em troca da permanência de Maduro no poder.

 

Joesley Batista atuou como emissário informal e se reuniu com Maduro

A escalada militar levou empresários e mediadores a buscarem alternativas diplomáticas. Entre eles, o bilionário brasileiro Joesley Batista, coproprietário da JBS, que viajou discretamente à Venezuela na semana passada para tentar convencer Maduro a renunciar — informação divulgada pela Bloomberg e confirmada por pessoas próximas ao processo.

Joesley se reuniu com Maduro em 23 de novembro, dois dias após o telefonema entre Trump e o ditador. Segundo fontes, a visita foi feita por iniciativa própria, embora autoridades americanas soubessem da viagem. A J&F, holding da família Batista, afirmou que o empresário “não representa nenhum governo”.

A tentativa de mediação ocorre após mais de 20 ataques americanos contra supostos barcos de tráfico de drogas próximos à Venezuela e à Colômbia, que já deixaram mais de 80 mortos. Trump reiterou nesta quarta-feira (3): “Conhecemos todas as rotas. Conhecemos todas as casas. Sabemos onde eles fabricam”.

 

Histórico de relações de Joesley com EUA e Venezuela

Joesley tem trânsito com ambos os governos. Nos EUA, a JBS é uma das maiores empresas do setor de proteína animal, com mais de 70 mil funcionários no país, e sua subsidiária Pilgrim’s Pride fez a maior doação individual ao comitê de posse de Trump, de US$ 5 milhões.

Na Venezuela, a empresa já negociou contratos bilionários para o fornecimento de carne durante a crise de desabastecimento. Há anos, JBS e Maduro discutiam projetos petrolíferos, alguns envolvendo ativos confiscados da ConocoPhillips no governo Hugo Chávez.

 

Tensão aumenta: EUA renovam alerta máximo de viagem

Em paralelo, o Departamento de Estado renovou o alerta de viagem de grau máximo (nível 4) para a Venezuela, recomendando que todos os cidadãos americanos deixem o país imediatamente. O comunicado cita risco de detenção ilegal, tortura, terrorismo, sequestro, criminalidade, instabilidade social e deterioração na saúde pública.

Os EUA destacam também que “grupos terroristas colombianos operam nas fronteiras da Venezuela com Colômbia, Brasil e Guiana”.

 

Maduro endurece discurso após ultimato não cumprido

De acordo com a Reuters, Trump teria dado prazo até 28 de novembro para que Maduro deixasse o país. O ditador ignorou o ultimato e reforçou o discurso nacionalista em Caracas, prometendo “lealdade absoluta” e afirmando que defenderá a Venezuela “ao custo da própria vida”.

Em eventos públicos, Maduro exaltou os chamados Comandos Bolivarianos e afirmou que o poder nacional está “no povo, em seus fuzis e na decisão de construir a pátria acima de qualquer dificuldade”.

Durante marchas convocadas pelo governo, apoiadores disseram buscar a paz, mas afirmaram estar preparados “para defender a pátria”, citando inclusive treinamento militar.

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