
A Polícia Civil de Goiás deflagrou nesta quarta-feira (10) uma operação contra uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes na venda de carros de luxo e lavar dinheiro por meio de criptomoedas. Embora sediado no ABC Paulista, o grupo fez vítimas em Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Bahia. Ao menos 25 mandados judiciais foram cumpridos, incluindo 10 prisões temporárias, em quatro cidades paulistas: Guarujá, Santo André, Mauá e na capital.
Segundo as investigações, a quadrilha utilizava documentos adulterados, perfis falsos e simulações de identidade para anunciar e vender veículos de alto padrão em plataformas digitais. Após receber o pagamento das vítimas, o grupo convertia imediatamente os valores em bitcoin, dificultando o rastreamento. As criptomoedas eram distribuídas em múltiplas carteiras digitais privadas, impedindo a recuperação rápida dos recursos.
A Polícia Civil bloqueou mais de R$ 3 milhões com o objetivo de ressarcir parte dos prejuízos sofridos pelos compradores enganados.
Além do uso de criptomoedas, o grupo recorria a empresas de fachada, operações de balcão e doleiros para reconverter os valores em moeda corrente, simulando legalidade das transações. Em apenas seis meses, a quadrilha movimentou R$ 56,9 milhões, segundo relatório policial.
A estrutura financeira e tecnológica empregada indica um nível elevado de sofisticação, com etapas planejadas para dificultar a identificação dos responsáveis e ocultar a origem ilícita dos recursos.
Os presos são investigados pelos crimes de estelionato, associação criminosa e lavagem de capitais. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados. A operação contou com apoio da Polícia Civil de São Paulo e segue em andamento para identificar outros possíveis envolvidos, além do rastreamento de bens que possam ter sido ocultados.