22°C 36°C
Goiânia, GO

Contrato de R$129 mi liga mulher de Moraes ao Master

Documento estimava pagamentos de R$ 129 milhões em três anos ao escritório Barci de Moraes, que também emprega os filhos do ministro; contrato foi apreendido na Operação Compliance Zero

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
11/12/2025 às 17h58
Contrato de R$129 mi liga mulher de Moraes ao Master
Foto: Reprodução

O contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes — esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes — previa uma ampla atuação da banca jurídica na defesa dos interesses da instituição financeira e de seu controlador, Daniel Vorcaro, perante órgãos estratégicos do Estado brasileiro. Segundo o documento apreendido pela Polícia Federal, o escritório deveria atuar junto ao Banco Central, à Receita Federal, à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, ao Cade e ao Congresso Nacional, entre outros.

Assinado em 16 de janeiro de 2024, o contrato estipulava remuneração mensal de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos, totalizando R$ 129 milhões até 2027 — ano em que, pelo sistema de rodízio da Corte, Alexandre de Moraes deverá assumir a presidência do STF. Com a liquidação extrajudicial do Master, decretada pelo Banco Central em outubro de 2025, os pagamentos foram interrompidos. Ainda assim, caso tenham sido honrados até a intervenção, o escritório teria recebido aproximadamente R$ 79 milhões. A banca conta ainda com a participação dos filhos do ministro.

A apreensão do contrato ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que levou à prisão de Vorcaro e de outros executivos da instituição. Até o momento, nem o Banco Central, nem Receita Federal, PGFN ou Cade responderam se o escritório atuou em demandas formais em nome do Master.

 

Atuação contratada incluía cinco núcleos de atuação conjunta

O documento estabelece que o escritório Barci de Moraes seria responsável por “organização e coordenação de cinco núcleos de atuação conjunta e complementar – estratégica, consultiva e contenciosa” perante órgãos do Judiciário, Ministério Público, Polícia Federal, Executivo e Legislativo. O escopo incluía acompanhamento de investigações, litígios, negociações e monitoramento legislativo de interesse do banco e de seu controlador.

Apesar da previsão contratual para acompanhar operações no Cade, fontes ouvidas afirmam que Viviane Barci de Moraes não participou de reuniões sobre a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, aprovada inicialmente pelo órgão antes da liquidação. No processo no Cade, o escritório que representava o banco era o Pinheiro Neto Advogados.

Segundo apuração da coluna, a revelação do contrato provocou apreensão entre advogados e executivos ligados ao caso, especialmente porque o documento constava no celular de Vorcaro, apreendido pela PF. Havia receio de que houvesse múltiplas cópias em poder de consultorias que fizeram due diligence no Master em 2025.

 

Operação Compliance Zero 

A Polícia Federal apreendeu o contrato durante a operação que prendeu Vorcaro e outros seis executivos do Master por suspeita de fraudes financeiras. Após a apreensão, iniciou-se um rastreamento em busca de outros documentos que pudessem ter sido enviados a terceiros ou armazenados em servidores externos e dispositivos de consultorias que prestavam serviços ao banco.

Questionados sobre as atividades desempenhadas pelo escritório Barci de Moraes, nem o Master nem a banca responderam ao blog responsável pela reportagem. O ministro Alexandre de Moraes também foi procurado, por meio da assessoria do STF, mas não se manifestou. O espaço segue aberto.

A liquidação do Banco Master ocorre em meio a decisões judiciais que têm aumentado a tensão institucional: o ministro Dias Toffoli concentrou em seu gabinete a tramitação dos processos ligados ao caso, enquanto advogados apontam para uma “caixa-preta” criada com a decretação de sigilo.

 

Queixa-crime e atuação direta da banca

Entre os processos em que Viviane Barci de Moraes atuou, está uma queixa-crime apresentada em abril de 2024 por Vorcaro e pelo Banco Master contra o investidor Vladimir Timmerman, da Esh Capital. A ação acusa Timmerman de caluniar o banqueiro ao relacioná-lo a supostas operações fraudulentas envolvendo a Gafisa e o fundo Brazil Realty. Além de Viviane, assinam a queixa os dois filhos do ministro, Alexandre Barci de Moraes e Giuliana Barci de Moraes, e outros dez advogados do escritório.

Vorcaro perdeu o caso na primeira e na segunda instâncias, mas ainda há possibilidades de recurso.

A apreensão do contrato e sua divulgação pública intensificaram o debate sobre a proximidade entre defensores jurídicos de uma instituição financeira em grave crise regulatória e familiares de um ministro do STF — que, embora não tenha envolvimento direto no contrato, tornou-se figura central na disputa judicial e política envolvendo o Master.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Goiânia, GO
27°
Parcialmente nublado
Mín. 22° Máx. 36°
27° Sensação
1.54 km/h Vento
47% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
06h25 Nascer do sol
18h10 Pôr do sol
Domingo
37° 27°
Segunda
38° 27°
Terça
39° 26°
Quarta
32° 20°
Quinta
37° 21°
Economia
Dólar
R$ 5,18 +0,02%
Euro
R$ 6,01 -0,02%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 429,321,81 +0,93%
Ibovespa
175,664,63 pts 0.3%
Enquete
...
...
Publicidade