
Moradores da Região Metropolitana de São Paulo enfrentam, pelo segundo dia consecutivo, a falta de energia elétrica após a passagem de um ciclone extratropical que atingiu o estado com ventos superiores a 100 km/h. Segundo dados mais recentes, mais de 1,3 milhão de clientes permanecem sem luz, o equivalente a pouco mais de 10% da população atendida pela concessionária Enel.
Na noite desta quinta-feira (11), a situação levou moradores a protestarem. Um grupo interditou completamente a Via Anhanguera, no sentido capital, na altura do km 19, na região conhecida como Vila da Biquinha, próxima ao Pico do Jaraguá, na zona norte de São Paulo. O bloqueio começou por volta das 19h e causou congestionamento na rodovia.
Segundo moradores da região, o problema foi causado pela queda de uma árvore que derrubou fios de energia. Técnicos da Enel chegaram a ir ao local, mas deixaram a área sem realizar o reparo, alegando que a remoção da árvore seria responsabilidade da prefeitura. Até o início da noite desta quinta, a árvore seguia no local.
Moradores disseram que não é a primeira vez que a região enfrenta um apagão prolongado. Em novembro do ano passado, o bairro ficou cinco dias sem energia. Para manter celulares funcionando, famílias adquiriram um pequeno gerador a gasolina, mas que não suportam toda a demanda da casa.
Nos condomínios maiores, o funcionamento por geradores também começou a enfrentar dificuldades. Na região da Raposo Tavares, a síndica profissional Regina Mantovani administra um condomínio com quase mil unidades. As áreas comuns e parte dos apartamentos dependem de geradores a diesel, mas a reposição do combustível se tornou um problema adicional.
Segundo ela, mesmo havendo combustível nos postos, a falta de energia impede o funcionamento das bombas. Com galões de 25 litros, o abastecimento garante apenas cerca de duas horas de funcionamento por carga. Regina afirma que realizou várias viagens em busca de diesel e enfrenta, além disso, instabilidade na internet, essencial para o trabalho remoto.
“Se a equipe viesse aqui, em dois minutos resolveria, é só religar uma chave no transformador. Mas muitas vezes nem conseguimos mais atendimento”, relata.
Em entrevista ao Jornal da CBN, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, afirmou que a falta de equipes da Enel dificulta o restabelecimento da energia e a remoção de árvores caídas. Segundo ele, a concessionária não tem estrutura para atender a capital e defendeu uma intervenção do governo federal na empresa.

Nunes contestou dados apresentados pela Enel sobre o número de equipes em campo. Segundo o prefeito, cruzamentos feitos com o sistema SmartSampa indicariam que menos de 40 veículos da concessionária circulavam pela cidade nesta quinta-feira. A prefeitura notificou formalmente a Enel e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O governador Tarcísio de Freitas também criticou a concessionária e afirmou que o estado está “refém” de um contrato federal. Ele enviou ofício à Aneel relatando a demora no restabelecimento da energia e voltou a defender que a concessão não seja automaticamente renovada, alegando falta de investimentos na modernização da rede elétrica.
Além da crise no fornecimento, a Polícia Militar investiga denúncias de cobrança de propina por funcionários da Enel em Diadema, na Grande São Paulo. Segundo relatos, moradores teriam sido abordados com pedidos que começaram em R$ 300 e chegaram a ultrapassar R$ 1 mil para religar a energia.
Funcionários da concessionária, supervisores e testemunhas foram levados ao 3º Distrito Policial de Diadema para registro da ocorrência.
A concessionária ainda não se pronunciou.