
A Prefeitura de Goiânia está com o comando da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Indústria, Comércio, Agricultura e Serviços (Sedicas) vago após a saída de Bárbara de Sousa, que ocupava o cargo de forma interina desde setembro. A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Município na quarta-feira (10). O prefeito Sandro Mabel (UB) afirmou que a permanência de Bárbara já era transitória e que está em fase final de definição do novo titular da pasta.
Nos bastidores há a expectativa de que o nome venha do setor produtivo, área considerada estratégica pela atual gestão e com a qual Mabel mantém forte relação.
A saída de Bárbara abriu espaço para articulações de lideranças empresariais do estado, que estudam indicar um nome para assumir a Sedicas. O entendimento entre empresários é de que a secretaria deve ser ocupada por alguém com perfil técnico e experiência direta no setor produtivo, reforçando o diálogo com comércio, indústria e serviços.
Há sinalização de que o prefeito mantém conversas com representantes do Fórum das Entidades Empresariais do Estado de Goiás (FEE), embora não exista compromisso formal de acatar uma indicação externa. Ao mesmo tempo, nomes ligados a gestões anteriores enfrentam resistência, principalmente em razão de desgastes herdados da administração do ex-prefeito Rogério Cruz (SD).
Bárbara de Sousa assumiu a Sedicas após a exoneração de Diogo Franco, em agosto, e permaneceu no cargo por cerca de três meses. Segundo informações da gestão, ela pediu desligamento para assumir um novo emprego fora de Goiás. Diogo Franco, irmão do vereador Igor Franco (MDB), foi exonerado em meio a insatisfações do prefeito com sua atuação e com movimentos políticos do parlamentar na Câmara Municipal.
Na época, Mabel também demonstrou incômodo com a articulação de Igor em pautas contrárias ao Executivo, como a criação da CEI do LimpaGyn e a tentativa de revogação da Taxa de Limpeza Pública. A crise culminou na retirada de Igor da liderança do prefeito na Câmara, função hoje ocupada pelo vereador Wellington Bessa (DC).
O episódio envolvendo a Sedicas se insere em um contexto mais amplo de tensão entre o Paço Municipal e parte da bancada do MDB. As divergências se intensificaram durante o debate da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), quando Mabel chegou a acusar vereadores de prejudicarem a cidade ao tentar limitar a autonomia do Executivo —declaração da qual depois se retratou.
Enquanto o nome do novo secretário não é anunciado, a Sedicas segue sem titular efetivo, em um momento em que a gestão busca reforçar sua relação com o setor produtivo e sinalizar estabilidade administrativa para 2026.