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Toffoli cancela acareação do Master e manda PF tomar depoimentos

Ministro do STF decidiu que depoimentos individuais devem ser colhidos primeiro; confronto entre versões só ocorrerá se investigadores apontarem contradições objetivas

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
29/12/2025 às 19h21
Toffoli cancela acareação do Master e manda PF tomar depoimentos
Foto: Reprodução

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), recuou da decisão de marcar diretamente uma acareação no caso envolvendo o Banco Master e deixou a eventual realização do procedimento a critério da Polícia Federal.

Nesta terça-feira (30), a PF vai colher, de forma individual, os depoimentos do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e do diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil, Ailton de Aquino Santos.

Somente após essa etapa, caso a delegada responsável pela investigação identifique contradições objetivas entre os relatos, poderá ser determinada uma acareação entre os envolvidos.

Depoimentos antes do confronto

A mudança de condução ocorre após críticas ao fato de Toffoli ter determinado uma acareação antes mesmo da colheita dos depoimentos individuais — procedimento considerado atípico por investigadores e por integrantes do mercado financeiro.

Agora, a lógica adotada será a tradicional: primeiro, os investigados e o servidor público prestarão depoimento separadamente. Em seguida, se houver divergências relevantes, as versões poderão ser confrontadas.

A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal Valor Econômico e confirmada pela Folha.

Diretor do BC não é investigado

Entre os convocados está o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, que não é investigado no caso. A presença dele no procedimento gerou desconforto interno no BC, já que técnicos da instituição avaliam que a participação de um diretor em uma acareação poderia expor indevidamente o órgão regulador.

O próprio Toffoli já havia esclarecido que o diretor do BC não figura como investigado, mas seria ouvido para esclarecer aspectos técnicos relacionados à fiscalização do sistema financeiro.

Desde o início de dezembro, todas as diligências relacionadas ao caso Master passaram a depender de autorização do ministro Dias Toffoli, por decisão do próprio magistrado. Ele é o relator do inquérito no Supremo.

Toffoli vinha sustentando que já existem informações divergentes nos autos e que a oitiva dos envolvidos serviria para reforçar esse diagnóstico. Ainda assim, diante da reação institucional, optou por deixar a condução da eventual acareação sob responsabilidade da Polícia Federal.

Suspeita de fraude bilionária

A investigação apura a tentativa de venda do Banco Master ao BRB. Segundo os investigadores, antes mesmo da formalização do negócio, o Master teria forjado e vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado ao banco estatal.

Desse total, aproximadamente R$ 6,7 bilhões corresponderiam a contratos falsos, enquanto R$ 5,5 bilhões seriam valores atribuídos como “prêmio” — uma estimativa do suposto valor futuro da carteira, acrescida de bônus.

Liquidação do banco e prisão do controlador

O escândalo levou o Banco Central a decretar a liquidação do Banco Master em 18 de novembro. Daniel Vorcaro, controlador da instituição, chegou a ser preso por 12 dias e atualmente responde em liberdade, sob monitoramento por tornozeleira eletrônica.

A condução do caso segue sendo acompanhada de perto pelo mercado financeiro, diante do temor de interferência judicial em decisões técnicas do regulador bancário.

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