
A Rússia acusou a Ucrânia, nesta segunda-feira (29), de ter promovido um ataque com drones contra uma das residências oficiais do presidente Vladimir Putin. Segundo o Kremlin, ao menos 91 drones tentaram atingir o complexo localizado na região de Novgorod, próxima a São Petersburgo, mas todos foram interceptados pelas defesas aéreas.
O suposto ataque teria ocorrido logo após o encontro entre Volodimir Zelenski e Donald Trump, realizado no domingo, para discutir uma possível saída negociada para a guerra iniciada em 2022. Kiev negou qualquer envolvimento e classificou a acusação como uma tentativa de justificar novas ofensivas russas.
De acordo com o chanceler russo Serguei Lavrov, os drones foram derrubados antes de alcançar o alvo e não houve danos materiais nem vítimas. O Ministério da Defesa da Rússia informou que a ação começou na noite de domingo e se estendeu até a manhã de segunda-feira, com abates registrados em ao menos três regiões do país.
Lavrov afirmou que o episódio terá impacto direto nas negociações mediadas pelos Estados Unidos e prometeu uma “dura resposta” militar. Segundo ele, Moscou poderá rever sua posição nas tratativas em curso, alegando que o ataque demonstra falta de compromisso da Ucrânia com uma solução diplomática.
Ainda segundo o Kremlin, Putin entrou em contato telefônico com Trump para relatar o ocorrido. O assessor presidencial russo Iuri Uchakov disse que o presidente americano teria ficado “chocado” com a informação. Questionado por jornalistas na Flórida, Trump inicialmente afirmou não ter conhecimento do caso, mas depois confirmou a ligação.
“Eu não gostei disso”, disse o americano, ao comentar a acusação russa. Apesar disso, Trump indicou que pretende manter os esforços de mediação entre Moscou e Kiev.
O governo ucraniano negou categoricamente a autoria do ataque. Zelenski afirmou que o episódio pode ser uma ação de “falsa bandeira”, organizada pela própria Rússia para justificar bombardeios contra prédios do governo em Kiev e endurecer sua postura nas negociações.
Segundo observadores militares, após a acusação, bombardeiros russos do modelo Tu-22 teriam sido preparados com mísseis de cruzeiro, o que elevou o alerta sobre uma possível ofensiva de retaliação.
O local citado pelo Kremlin é um antigo complexo de datchas — casas de campo tradicionais da elite russa — conhecido como Valdai, às margens de um lago de mesmo nome. A região, cercada por vegetação densa, é considerada uma das preferidas de Putin para períodos de descanso e pode receber centenas de convidados.
Segundo imagens oficiais, no momento do suposto ataque, Putin estaria em Moscou, participando de reuniões com a cúpula militar. Nessas reuniões, os generais teriam apresentado um balanço positivo das operações russas em 2025, com foco na intensificação das ações no sul da Ucrânia, especialmente na província de Zaporíjia, anexada ilegalmente por Moscou em 2022.
O episódio ocorre em meio a negociações já marcadas por impasses, sobretudo em relação às áreas ocupadas pela Rússia. Moscou exige o controle total de regiões como Donetsk, enquanto Kiev se recusa a abrir mão dos territórios ainda sob domínio ucraniano. Os Estados Unidos tentam costurar uma solução intermediária, incluindo a criação de zonas desmilitarizadas.
Não é a primeira vez que instalações associadas a Putin são alvo de acusações semelhantes. Em 2022, drones explodiram sobre o Kremlin, em Moscou, episódio classificado pela Rússia como terrorismo. A Ucrânia nunca assumiu a autoria.
Analistas avaliam que, independentemente da origem do ataque desta semana, o episódio tende a agravar o clima diplomático e dificultar ainda mais qualquer avanço concreto rumo ao fim da guerra.