
O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, chegou a Brasília na manhã desta terça-feira (30) e iniciou o depoimento no inquérito que investiga possíveis fraudes financeiras envolvendo a instituição. O carro em que ele estava entrou diretamente na garagem do Supremo Tribunal Federal após a chegada à capital.
Vorcaro desembarcou por volta das 11h no Aeroporto Internacional de Brasília, em voo comercial. As oitivas tiveram início no começo da tarde e são conduzidas pela Polícia Federal.
Além de Vorcaro, também prestam depoimento o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil, Ailton de Aquino Santos.
Após a conclusão das oitivas, a delegada responsável pelo caso irá analisar se há contradições relevantes entre as versões apresentadas. Caso entenda necessário, poderá determinar a realização de uma acareação entre os envolvidos.
Todo o procedimento ocorre sob acompanhamento de um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, além de um representante do Ministério Público.
As investigações indicam que Vorcaro e Paulo Henrique Costa participaram diretamente das tratativas para a venda do Banco Master ao BRB, banco público vinculado ao governo do Distrito Federal.
Antes de deixar o comando do BRB, Costa defendia a aquisição como alternativa para evitar o colapso financeiro do Master. A proposta, no entanto, acabou rejeitada pelo Banco Central.
Segundo a apuração, Ailton de Aquino — que não é investigado — analisou tecnicamente diferentes cenários para a crise da instituição, como aporte de recursos, troca da diretoria, venda do banco e, por fim, a liquidação.

De acordo com a Polícia Federal, as alternativas anteriores não avançaram, levando a Diretoria de Fiscalização do Banco Central a recomendar a liquidação do Master. A venda ao BRB foi vetada pela Diretoria de Organização do Sistema Financeiro, chefiada por Renato Gomes.
A decisão final pela liquidação foi tomada de forma unânime pela diretoria colegiada do Banco Central.
O Master foi liquidado em novembro, após a autoridade monetária concluir que o banco não possuía recursos suficientes para honrar compromissos financeiros com vencimento em 2025.
A realização de uma eventual acareação foi inicialmente determinada de ofício pelo ministro Dias Toffoli, ainda durante o recesso do Judiciário. O Banco Central do Brasil recorreu, questionando a urgência da medida e a convocação de um de seus diretores, mas o pedido foi rejeitado.
Toffoli afirmou que nem o Banco Central nem Ailton de Aquino são investigados, mas justificou a urgência do procedimento pelo possível impacto das apurações sobre o sistema financeiro nacional.
A decisão provocou reação de entidades que representam bancos e o mercado financeiro, que divulgaram notas em defesa da autonomia técnica do Banco Central e alertaram para riscos de instabilidade caso decisões regulatórias sejam revistas judicialmente.´lApuração de supostas fraudes
Segundo a investigação, o Banco Master teria adquirido créditos de uma empresa chamada Tirreno sem efetuar o pagamento e, posteriormente, repassado esses ativos ao BRB, que teria desembolsado cerca de R$ 12 bilhões.
A Polícia Federal aponta que, antes da formalização da negociação, teriam sido forjadas e vendidas aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado, sendo R$ 6,7 bilhões em contratos supostamente falsos e R$ 5,5 bilhões em prêmios.
O escândalo resultou na prisão temporária de Daniel Vorcaro por 12 dias. Atualmente, ele segue monitorado por tornozeleira eletrônica.
O processo tramita em sigilo no STF. Desde o início de dezembro, todas as diligências relacionadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro passaram a depender de autorização do ministro Dias Toffoli.
A Polícia Federal segue colhendo depoimentos e analisando documentos para definir os próximos passos da investigação.