
O ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram levados a um tribunal federal em Manhattan nesta segunda-feira (5), em Nova York, para a primeira audiência após a captura por forças dos Estados Unidos no sábado (3). Eles respondem a acusações de narcoterrorismo, narcotráfico e posse ilegal de armas.
Segundo autoridades americanas, o casal foi preso após uma operação realizada em Caracas e transferido para os EUA, onde permanece detido no Brooklyn. A audiência está marcada para o início da tarde e será conduzida pelo juiz federal Alvin K. Hellerstein. De acordo com a imprensa local, a expectativa é que ambos se declarem inocentes nesta etapa inicial, o que deve manter a prisão preventiva até o julgamento, ainda sem data definida. O jornal The New York Times aponta que o processo pode levar mais de um ano até uma decisão final.
As acusações foram formalizadas pelo Ministério Público Federal do Distrito Sul de Nova York. Os promotores sustentam que Maduro teria liderado, por mais de duas décadas, uma rede estatal de tráfico de cocaína, em parceria com organizações criminosas internacionais, incluindo os cartéis mexicanos de Sinaloa e Zetas, a guerrilha colombiana Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e a facção venezuelana Tren de Aragua. O esquema teria envolvido o uso das Forças Armadas e de estruturas oficiais do Estado para transportar drogas aos Estados Unidos.
A denúncia também aponta que os crimes teriam começado ainda nos anos 2000, quando Maduro era deputado e, posteriormente, chanceler, período em que, segundo os promotores, passaportes diplomáticos teriam sido vendidos a traficantes e voos oficiais usados para movimentar dinheiro do narcotráfico. Se condenado, o ex-presidente pode enfrentar penas que variam de décadas de prisão à prisão perpétua.
Contexto internacional
A captura provocou forte reação internacional. O Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta segunda para discutir a operação americana, classificada como “precedente perigoso” pelo secretário-geral António Guterres. Rússia e China criticaram a ação, enquanto o então presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não permitirá a continuidade do chavismo no poder.
Quem assume o poder na Venezuela

Com Maduro fora do país, o comando do regime passou a um núcleo formado pela vice-presidente Delcy Rodríguez, pelo ministro do Interior Diosdado Cabello e pelo ministro da Defesa Vladimir Padrino. Os três são figuras centrais do chavismo e mantêm forte ligação com as Forças Armadas, pilar de sustentação do regime desde os governos de Hugo Chávez.
Além das acusações criminais, especialistas em direito internacional avaliam que o caso pode redefinir os limites da atuação dos Estados Unidos fora de seu território e abrir um novo capítulo na crise venezuelana. Enquanto o julgamento avança lentamente, o futuro político do país segue incerto, sob pressão diplomática e risco de escalada militar.