
O primeiro dia útil após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos foi marcado por reforço militar e retomada do fluxo migratório na fronteira entre Brasil e Venezuela. Em Pacaraima (RR), o Exército posicionou dois blindados Guaicuru e ampliou o efetivo no reinício das atividades da Operação Acolhida, nesta segunda-feira (5).
A presença militar foi intensificada com cerca de 15 soldados atuando na fiscalização da fronteira, número superior ao registrado no domingo. O reforço ocorre após o ataque americano do fim de semana, que levou ao fechamento temporário da passagem no sábado (3), reaberta ainda no mesmo dia.
Com a reabertura dos serviços regulares da Operação Acolhida, uma força-tarefa do governo brasileiro criada em 2018 para receber e regularizar migrantes e refugiados venezuelanos no país, migrantes venezuelanos voltaram a formar filas desde as primeiras horas da manhã para triagem, regularização documental, vacinação e acesso ao sistema de saúde brasileiro. O atendimento regular acontece a partir das 8h.
Recém-chegados afirmam que a crise econômica impulsiona a busca por alternativas fora do país.
O fluxo inclui perfis variados: além de novos migrantes, há venezuelanos que já vivem no Brasil e retornam à fronteira para resolver pendências familiares ou renovar documentos.
O movimento de veículos também aumentou em relação ao domingo, quando a fronteira operou com baixo fluxo devido ao fechamento do comércio e dos serviços de acolhimento. Venezuelanos que fazem o trajeto diário entre Pacaraima e Santa Elena de Uairén relataram apreensão, apesar de alguns comemorarem a saída de Maduro do poder.
Mesmo com a retomada gradual da rotina, o clima na fronteira ainda é de cautela. Migrantes evitam celebrações abertas e falam com reserva sobre o futuro político da Venezuela, enquanto o Brasil mantém atenção redobrada diante da instabilidade no país vizinho.