
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro está sendo vítima de negligência e “tortura” por parte do Estado após sofrer uma queda dentro da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Segundo ela, Bolsonaro ficou sem atendimento médico durante toda a madrugada e apresentava hematomas no rosto e sinais de confusão mental quando foi visitado.
As declarações foram feitas após o ministro Alexandre de Moraes negar, inicialmente, a transferência imediata do ex-presidente para um hospital particular. Michelle criticou o isolamento na cela e afirmou que, aos 70 anos, Bolsonaro estaria com direitos básicos violados e enfrentando respostas lentas diante do quadro de saúde.
A ex-primeira-dama responsabilizou Moraes e o procurador-geral da República por qualquer eventual agravamento clínico do marido, destacando que há um hospital “do outro lado da pista”. A Polícia Federal, por sua vez, informou que os ferimentos seriam leves e que o atendimento realizado por médicos da corporação no local foi suficiente.
Após apresentação de laudos e novo pedido da defesa, Moraes autorizou que Bolsonaro fosse levado ao Hospital DF Star, onde chegou nesta quarta-feira para a realização de exames. O ex-presidente será submetido a tomografia e ressonância magnética do crânio, além de um eletroencefalograma, para avaliação da atividade cerebral.
A decisão determinou que o transporte e a escolta fossem feitos pela Polícia Federal, com acesso discreto ao hospital pela garagem. Inicialmente, o ministro havia avaliado que não havia necessidade de remoção imediata, condicionando a autorização à entrega de um relatório médico detalhado.
Documento elaborado pela PF apontou que Bolsonaro apresentava uma lesão superficial no rosto e no pé esquerdo, estava consciente, orientado e sem sinais de déficit neurológico, ainda que com leve desequilíbrio ao ficar em pé. Mesmo assim, a equipe médica particular do ex-presidente considerou necessários exames complementares.
O cirurgião Cláudio Birolini afirmou que quedas com impacto na cabeça representam risco relevante diante do histórico clínico de Bolsonaro. O cardiologista Brasil Caiado também participou da avaliação.
A queda foi divulgada inicialmente por Michelle Bolsonaro, que relatou que o ex-presidente sofreu uma crise de soluços enquanto dormia, perdeu o equilíbrio e bateu a cabeça em um móvel da cela. Desde o retorno à custódia da Polícia Federal, no dia 1º de janeiro, aliados vinham relatando melhora no estado de saúde, embora pessoas próximas mencionassem dificuldades para dormir.
Bolsonaro está preso desde o fim de novembro, cumprindo pena de 27 anos e três meses imposta pelo STF por envolvimento na tentativa de golpe de Estado. Ele havia retornado à prisão após passar oito dias internado para tratar uma hérnia inguinal e crises de soluço relacionadas à facada sofrida em 2018.