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O que foi o 8 de Janeiro e por que virou marco histórico

Três anos após a invasão às sedes dos Poderes, relembre a sequência de ações que alimentou a trama golpista entre a derrota eleitoral de Bolsonaro e o ataque de 8/1

Por: Lavínia Dornellas
08/01/2026 às 16h28
O que foi o 8 de Janeiro e por que virou marco histórico
Foto: Reprodução

As imagens da depredação do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal, em 8 de janeiro de 2023, completam três anos nesta quinta-feira (8) como um dos capítulos mais graves da democracia brasileira. Naquele domingo, milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, derrotado nas urnas, avançaram pela Esplanada, romperam barreiras e invadiram os prédios dos Três Poderes em uma tentativa de romper a ordem institucional.

Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) que embasou condenações no STF, a trama golpista começou a ser desenhada ainda em 2021, com a estratégia de desacreditar o sistema eleitoral e confrontar decisões judiciais. Após a derrota de Bolsonaro no segundo turno, em 30 de outubro de 2022, a escalada se tornou visível: protestos coordenados, violência política e ações com potencial terrorista se sucederam até culminar no 8 de Janeiro.

Bloqueios de rodovias e acampamentos em quartéis

Na noite da eleição, enquanto a vitória de Lula era comemorada, grupos de caminhoneiros e apoiadores de Bolsonaro iniciaram interdições em rodovias em diversos estados. Segundo registros da PRF na época, foram mais de mil bloqueios totais ou parciais em estradas federais. O pico ocorreu nos primeiros dias de novembro, com impactos pontuais em abastecimento e aeroportos.

Bolsonaro demorou dois dias para se pronunciar e, quando o fez, adotou tom ambíguo: pediu desobstrução das rodovias, mas não reconheceu formalmente a derrota nem cumprimentou o adversário. A mobilização foi perdendo força e se encerrou ainda na primeira semana de novembro.

Com o enfraquecimento dos bloqueios, o movimento migrou para acampamentos em frente a quartéis das Forças Armadas, em capitais e cidades do interior. Foram mais de 100 acampamentos, com destaque para o instalado diante do Quartel-General do Exército, em Brasília — de onde sairiam grupos que participaram do ataque do 8/1.

De acordo com a denúncia da PGR, esses acampamentos tiveram aval político e se tornaram centros de articulação e logística do movimento. A manutenção dessas estruturas — com alimentação, alojamentos e transporte — passou a ser investigada e levou a condenações posteriores no STF.

Em dezembro de 2022, a radicalização ganhou contornos mais violentos. No dia 12, data da diplomação de Lula no TSE, Brasília viveu uma noite de caos: manifestantes tentaram invadir a sede da Polícia Federal, fecharam vias centrais e incendiaram ônibus e carros.

No dia 24 de dezembro, véspera de Natal, um caminhão-tanque foi encontrado com um artefato explosivo próximo ao Aeroporto Internacional de Brasília. A investigação apontou ligação com apoiadores instalados no acampamento do QG do Exército. A explosão não ocorreu porque o artefato falhou. Envolvidos foram condenados na Justiça do DF e se tornaram réus no STF por crimes como tentativa de golpe e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Memória, atos simbólicos e debate sobre responsabilização

A data tem sido usada para reforçar a defesa institucional da democracia e lembrar que a tentativa de ruptura não foi um episódio isolado, mas o resultado de uma sequência de ações.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam para movimentos no Congresso que buscam reduzir penas ou promover anistia, o que reacende o debate sobre o compromisso institucional do Parlamento com a defesa da democracia.

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