
A Polícia Civil do Distrito Federal investiga um técnico de enfermagem natural de Goiás como principal suspeito de provocar a morte de ao menos três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal. Os crimes teriam ocorrido entre novembro e dezembro de 2025. Duas técnicas de enfermagem também são investigadas por participação no esquema.
Segundo a polícia, os três suspeitos foram presos durante a Operação Anúbis, deflagrada em duas fases. A primeira ocorreu no dia 11 de janeiro, com prisões e mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás. A segunda fase foi realizada no dia 15, com a apreensão de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.
As vítimas tinham 75, 63 e 33 anos e morreram enquanto estavam internadas na UTI da unidade hospitalar. Inicialmente, os óbitos foram registrados como mortes naturais, mas a repetição de pioras súbitas levantou suspeitas da direção do hospital, que acionou a polícia.
De acordo com o delegado Wisllei Salomão, coordenador da Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP), o principal investigado se aproveitava do sistema eletrônico do hospital para prescrever medicamentos indevidamente, passando-se por médicos.
As investigações apontam que o medicamento utilizado é comum em UTIs, mas provoca parada cardíaca quando aplicado diretamente na veia. Em um dos casos, quando o remédio acabou, o técnico teria injetado desinfetante intravenoso, realizando 13 aplicações em uma paciente de 75 anos, o que levou ao óbito.
As duas técnicas de enfermagem são acusadas de dar cobertura e facilitar a ação do colega durante os procedimentos irregulares.
A Polícia Civil confirmou que o técnico Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, confessou os crimes em depoimento. Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos, também admitiu participação. A terceira investigada é Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos. As identidades foram confirmadas pela PCDF e pelo Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal.
As vítimas identificadas são:
Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada, 75 anos;
João Clemente Pereira, servidor público, 63 anos;
Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos, servidor público.
A polícia não descarta a existência de outros casos, tanto no Hospital Anchieta quanto em outras unidades de saúde onde os investigados possam ter trabalhado.
Em nota, o Hospital Anchieta informou que instaurou comitê interno de análise assim que identificou circunstâncias atípicas nas mortes e que, em menos de 20 dias, reuniu evidências encaminhadas às autoridades. A instituição afirmou ainda que demitiu os envolvidos, solicitou a abertura de inquérito policial e se solidarizou com os familiares das vítimas, reforçando que colabora integralmente com as investigações, que tramitam sob segredo de Justiça.