
O ministro do Supremo Tribunal Federal (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli continua a frequentar o Tayayá Resort, em Ribeirão Claro (PR), mesmo após a venda formal do empreendimento, segundo apuração da Folha. Relatos de funcionários, ex-funcionários, moradores da região e hóspedes indicam que o ministro chega ao local de helicóptero, utiliza um heliponto exclusivo e se hospeda em uma casa em área reservada do complexo, com acesso a bens e serviços não disponíveis aos demais clientes.
O Tayayá ganhou relevância pública após a revelação de vínculos societários pretéritos entre parentes do ministro e fundos associados a personagens investigados no caso do Banco Master. Apesar de a atual propriedade do resort constar em nome do advogado Paulo Humberto Barbosa, que atua para a JBS, funcionários ouvidos pela reportagem afirmam que Toffoli e familiares ainda são tratados internamente como donos do local.
Segundo os relatos, Toffoli esteve no resort no período do Ano-Novo. Quando se hospeda, ele ocupa uma residência na área conhecida como Ecoview, um conjunto de casas de alto padrão no topo de um morro, com acesso restrito. O heliponto fica a poucos metros da casa atribuída ao ministro, reduzindo sua exposição. Além disso, Toffoli utilizaria uma embarcação do resort para passeios, não disponível a outros hóspedes.
Dois irmãos do ministro também mantêm relação histórica com o empreendimento. José Eugênio Toffoli foi responsável pela administração do resort enquanto a família detinha participação societária e possui uma casa no local. José Carlos Toffoli, outro irmão, já realizou missas em datas festivas no resort.
Procurado, Dias Toffoli não respondeu aos questionamentos.
Paulo Humberto Barbosa afirmou à Folha ser o único dono do Tayayá. Segundo ele, conheceu o empreendimento no fim de 2024 e passou a adquirir participações até assumir integralmente o controle em fevereiro de 2025, comprando a fatia da empresa Maridt, pertencente aos irmãos de Toffoli, por cerca de R$ 3,5 milhões. Um primo do ministro também teria vendido sua participação meses depois, deixando Barbosa como proprietário exclusivo.
Barbosa disse que o resort enfrentava dificuldades financeiras antes da compra e anunciou planos de expansão, incluindo a construção de um novo prédio com cerca de 300 apartamentos e a ampliação de áreas de entretenimento adulto. Ele nega irregularidades na operação do espaço de jogos do resort e afirma que as atividades seguem autorização da loteria estadual.
Reportagens do Metrópoles apontaram a existência de máquinas de apostas e mesas de jogos no Tayayá, incluindo blackjack — modalidade proibida no Brasil quando envolve apostas em dinheiro. A presença de um espaço de jogatina no resort intensificou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, já que Toffoli votou, no STF, a favor da possibilidade de exploração estadual de chamadas “vídeo loterias”, embora jogos de azar presenciais sigam vedados pela legislação.
A atuação do ministro como relator de investigações envolvendo o Banco Master, aliada a vínculos empresariais pretéritos de familiares com fundos ligados ao caso e à sua frequência ao resort, tem ampliado o debate sobre a necessidade de transparência e avaliação de eventuais impedimentos no Supremo.