
A Bolsa de Valores brasileira voltou a subir nesta quinta-feira (22) e levou o Ibovespa a um novo recorde histórico. O principal índice do mercado acionário avançou 3,05% por volta das 12h54, aos 177.084 pontos, depois de atingir máxima intradiária de 177.741 pontos. O dólar, por sua vez, recuava 0,38%, cotado a R$ 5,29.
O movimento reflete o bom humor dos mercados globais, impulsionado por sinais de distensão geopolítica envolvendo os Estados Unidos e a Groenlândia, além da divulgação de indicadores positivos da economia norte-americana. Investidores também seguem promovendo uma rotação de recursos para fora dos ativos dos EUA, favorecendo mercados emergentes como o Brasil.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter avançado em um “entendimento preliminar” sobre a Groenlândia e anunciou a suspensão de tarifas que estavam previstas para entrar em vigor em fevereiro contra países europeus. A sinalização foi interpretada como um recuo após reunião com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, e reforçou a percepção de menor risco no cenário internacional.
O discurso mais moderado de Trump ocorre dias depois de o republicano ter descartado publicamente o uso da força para assumir o controle da ilha, durante participação no Fórum Econômico Mundial, em Davos. Para o mercado, a combinação de recuo retórico e suspensão de tarifas reduz tensões e estimula a busca por ativos de maior risco.
No caso brasileiro, analistas destacam fatores estruturais que tornam o país atrativo, como o elevado diferencial de juros — com a Selic em 15% ao ano —, forte peso de commodities na Bolsa e múltiplos ainda abaixo da média histórica, mesmo após a sequência de recordes do Ibovespa.
A entrada de recursos externos também pressiona o câmbio, já que investidores precisam vender dólares para aplicar no mercado local. Para o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, o modelo da consultoria aponta espaço para o dólar recuar em direção a R$ 5,25 no curto prazo.
No cenário internacional, bolsas europeias também operam em alta, com ganhos superiores a 1% em índices como o DAX, da Alemanha, e o CAC 40, da França. O dólar perde força frente a moedas de países emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano.
Além do noticiário político, os investidores repercutem dados da economia dos EUA. O Produto Interno Bruto norte-americano cresceu a uma taxa anualizada revisada de 4,4% no terceiro trimestre de 2025, o ritmo mais forte desde 2023. Já o índice de gastos com consumo (PCE), principal referência de inflação para o Federal Reserve, avançou 3,5% no período.
Na próxima semana, tanto o Fed quanto o Banco Central do Brasil decidem sobre juros. A expectativa majoritária do mercado é de manutenção das taxas — os Fed Funds entre 3,5% e 3,75% e a Selic em 15% ao ano.