
Um novo vídeo divulgado nesta semana mostra o enfermeiro Alex Pretti se envolvendo em uma confusão com agentes federais 11 dias antes de ser morto durante uma operação de imigração em Minneapolis, nos Estados Unidos.
As imagens foram gravadas no dia 13 de janeiro, durante um protesto contra a ofensiva anti-imigração conduzida pelo governo do então presidente Donald Trump. No vídeo, Pretti aparece discutindo com agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) após chutar a lanterna traseira de um veículo oficial.
De acordo com os registros feitos por testemunhas, Pretti é jogado no chão por agentes federais depois da discussão. Em seguida, outros agentes descem do veículo, formam um cordão de isolamento e lançam gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.
Após alguns segundos de confronto, o enfermeiro consegue se afastar e retorna para o meio dos manifestantes. Em determinado momento do vídeo, um objeto semelhante a uma arma de fogo aparece preso à cintura de Pretti. No entanto, as imagens não mostram qualquer tentativa dele de sacar a arma, nem confirmam se os agentes perceberam isso naquele momento.
Nesta quinta-feira, Trump compartilhou em suas redes sociais outro vídeo do mesmo episódio, gravado de outro ângulo, com comentários irônicos sobre a atitude do enfermeiro.
Testemunhas afirmam que os disparos foram feitos após a arma ter sido retirada do corpo de Pretti. Mais de dez tiros teriam sido efetuados.
A morte do enfermeiro ocorreu em meio a uma escalada de tensão entre a população local e os agentes federais. Desde o fim de dezembro, o ICE atua na cidade por meio da chamada Operation Metro Surge, que intensificou prisões e abordagens.
O clima piorou após a morte de Renee Nicole Good, uma cidadã americana baleada por um agente federal no início de janeiro. Imagens do caso colocaram em dúvida a versão oficial de que o veículo da vítima teria avançado contra o agente.
Diante dos episódios, o prefeito Jacob Frey e o governador Tim Walz pediram publicamente a retirada do ICE da cidade.

A morte de Pretti levou a greves de professores, suspensão de aulas, fechamento de escolas e ações judiciais do estado de Minnesota contra o governo federal. Comunidades de imigrantes relataram detenções de pessoas com situação legal regular no país.
Diante da pressão, Trump afirmou que pretende “desescalar” a situação. O chamado czar da fronteira, Tom Homan, disse que a Casa Branca estuda reduzir o número de agentes do ICE no estado. Já o chefe da operação local, Gregory Bovino, foi afastado do cargo.
O caso segue sob investigação e mantém Minneapolis no centro do debate sobre uso da força, imigração e atuação de agentes federais nos Estados Unidos.